'Nunca vi uma crise dessas', ausência de senadores e nenhuma palavra sobre Bolsonaro: bastidores da despedida de Cláudio Castro do governo do RJ

 

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O governador Cláudio Castro recebeu prefeitos, ex-prefeitos, ex-secretários, políticos variados e suas famílias para uma cerimônia, no Palácio Guanabara, nessa segunda-feira (23), na qual renunciou ao cargo, e marca o momento em que o Rio de Janeiro vive uma crise política sem precedentes.

Deputados experientes passaram esbaforidos para a saída do Palácio Guanabara por volta das 19h, na reta final da cerimônia de encerramento do cargo. O salão nobre superlotou. E a imprensa, que esperou por 2h30 na bela sala 'Pé de Moleque", que preserva o piso importado de Portugal no século XVII, não pode acessar o evento.

Entre abraços e despedidas, especulações sobre o futuro político do Rio. "Nunca vi uma crise dessas", resumiu à coluna um experiente deputado, que viu de perto a Alerj ter dez deputados presos de uma só vez, em 2018, participou do impeachment de Wilson Witzel, em 2021, e outros momentos emblemáticos.

O parlamentar se referia ao fato de não saber nem ele, nem qualquer morador do estado, o rumo que o comando do estado irá tomar até o final do ano. Sem linha sucessória, às vésperas de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que pode determinar eleições diretas, caso Castro seja cassado, a política do Rio segue sem rumo.

Outro deputado, abordado pela coluna, refletiu sobre o vazio de lideranças no estado. "O que temos de líderes são figuras regionais, mas as que tinham expressão em todo o estado ou foram abatidas pela Lava-jato e saíram do jogo político, ou não tem musculatura suficiente". Na mesa para assumir o governo em um eventual mandato tampão, se mantida a decisão do ministro Luiz Fux sobre as regras para uma eleição indireta, o deputado Chico Machado (Solidariedade), cuja base eleitoral é Macaé e pode ser apoiado por Eduardo Paes (PSD); o deputado Guilherme Delaroli (PL), do grupo de Castro, cuja base é Itaboraí.

Castro falou por 20 minutos aos jornalistas. Repórteres apresentaram perguntas que deveriam ser feitas aos jornalistas, mas o governador foi embora sem responder, por exemplo, quem afinal o ex-presidente do Rioprevidência, preso após aplicar bilhões no Banco Master, de Daniel Vorcaro - banqueiro que também está preso.

No discurso, nenhuma menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nenhum dos senadores do Rio presentes, e todos são do PL. Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho, convidados, não foram. Bruno Bonetti, suplente de Romário, que está no exercício do cargo, em Brasília. O ex-jogador, eleito em 2018, está licenciado do cargo e ativo nas redes sociais, postando registros ao lado do cantor João Gomes e defendendo a convocação de Neymar para Copa do Mundo de 2026.

Às 19h39, sob o salão nobre do Palácio Guanabara, deu para ouvir Castro cantando na sede do Executivo pela última vez. Entra para história como o terceiro governador mais longevo da história do Rio de Janeiro, atrás apenas de Sérgio Cabral e Leonel Brizola.