'Nunca pensei em trabalhar com cinema'; Saiba quem foi Nathalie Baye, atriz icônica do cinema francês morta aos 77 anos

 

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A cena cultural francesa se despede de um de seus maiores ícones com a morte da atriz Nathalie Baye, na última sexta-feira, em Paris, aos 77 anos. A informação foi confirmada pela família em comunicado à agência AFP. Com uma trajetória que atravessou mais de cinco décadas e inclui mais de uma centena de produções, Baye consolidou-se como uma figura central do cinema europeu e internacional.

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A atriz enfrentava dificuldades de saúde desde o ano passado. Em comunicado, os familiares informaram que ela sofria da doença de Lewy, considerada a segunda forma mais comum de demência degenerativa após o Alzheimer. A condição é caracterizada pelo acúmulo anormal da proteína alfa-sinucleína no cérebro, formando os chamados “corpos de Lewy”, que interrompem a comunicação entre os neurônios. Diferentemente de outras patologias, a doença apresenta progressão que afeta simultaneamente funções mentais e controle físico, impondo severas limitações à autonomia do paciente.

Quem foi Nathalie Baye

Baye iniciou sua carreira nos anos 1970 na televisão, na série Au théâtre ce soir, mas ganhou projeção internacional ao trabalhar com o cineasta François Truffaut em A Noite Americana, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Na década seguinte, tornou-se presença constante em festivais e colaborou com diretores como Maurice Pialat e Claude Sautet. Em 1985, protagonizou Détective, de Jean-Luc Godard, exibido na seleção oficial de Cannes.

Entre seus papéis mais marcantes está o da camponesa do século XVI em O Retorno de Martin Guerre. O filme inspiraria posteriormente uma versão hollywoodiana estrelada por Jodie Foster. Baye também conquistou o público global ao interpretar a mãe do personagem de Leonardo DiCaprio em Prenda-me se for Capaz, dirigido por Steven Spielberg. Mais recentemente, em 2022, integrou o elenco de Downton Abbey: Uma Nova Era.

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O reconhecimento de seu trabalho veio com sete indicações ao prêmio César, do qual saiu vencedora em quatro ocasiões — duas como Melhor Atriz e duas como Atriz Coadjuvante. Em 2009, foi condecorada pelo governo francês com a Ordem Nacional da Legião de Honra no grau de Cavaleira.

Na televisão, também marcou presença junto a novas gerações ao participar da série Dix pour cent, na qual atuou ao lado da filha, a atriz Laura Smet, interpretando uma versão ficcional da própria relação familiar.

Em entrevista ao site português C7nema, Baye refletiu sobre sua trajetória e o início inesperado na profissão:

“Nunca aceitei participar num filme pelo papel que me oferecem, mas pelo todo. É que você pode ser apresentado a um bom papel, mas que vem junto de uma história que vai descarrilhar”, disse. “Escolho os filmes pelo desejo. Leio os roteiros e em 10 há um ou dois que me interessam”

Ao recordar o início da carreira, destacou o encontro decisivo com o compatriota e diretor François Truffaut, um dos fundadores do movimento cinematográfico Nouvelle Vague:

“O trabalho de atriz tem mudado permanentemente. Não apenas no bom sentido. Mas, apesar de tudo, a minha carreira no cinema começou sob condições excepcionais. O primeiro realizador com que trabalhei foi o François Truffaut [em "A Noite Americana", de 1973], e foi uma aula de como fazer um filme" lembrou. "Antes disso nunca na minha vida pensei que ia trabalhar no cinema. A vida foi assim e hoje em dia não me imagino sem estar nesta profissão.”