Número de venezuelanos atendidos pelo Bolsa Família ultrapassa 205 mil em 2025

 

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O número de venezuelanos atendidos pelo Bolsa Família no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos devido à crise migratória que o país enfrenta desde 2014. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o número de imigrantes atendidos pelo benefício passou de 1.076, no final de 2017, para 205.587 em setembro de 2025 — volume mais de 190 vezes maior.

Ainda de acordo com o MDS, em 2021, o número de venezuelanos beneficiados chegou a 54.477 e mais do que dobrou até 2023, quando alcançou 185.633 pessoas.

No entanto, houve uma diminuição entre 2024 e 2025, de 218.777 mil para 205.587 mil.

Na plataforma do MDS, onde constam os dados, não estavam disponíveis os números de venezuelanos beneficiários do Bolsa Família de 2022.

O levantamento também indica que em 2025, a maior parte dos imigrantes vivia na região Norte do país, com 46%, seguido da região Sul, com 32%. Entre os estados com maior número de venezuelanos estão Roraima (56.669), Paraná (30.889) e Amazonas (30.231).

Venezuelana e fundadora da Irmandade Sem Fronteiras, Rockmillis Basante conta que o Bolsa Família é fundamental para os imigrantes que chegam ao país em situação de extrema vulnerabilidade.

— Assim como ao brasileiro, o Bolsa Família ajuda muito o imigrante que chega aqui sem falar o idioma, sem conhecer ninguém, sem casa e em uma condição de vulnerabilidade — disse.

A fundadora da ONG com sede em Curitiba (PR), que presta serviços de regularização migratória, assessoramento jurídico e psicologia e orientações para os imigrantes, afirma que o benefício é oferecido para os imigrantes da mesma forma que para os brasileiros.

— O processo e o tempo de espera são os mesmos. Não há diferença — reiterou.

No entanto, para Basante, o Bolsa Família deveria ser uma ajuda emergencial e não, contínua.

— Acredito que ele deveria ficar por um certo período, até que a gente conseguisse correr sozinho. Claro que não podemos determinar quem precisa por mais ou menos tempo, mas deveria ter uma avaliação mais profunda. Precisamos mesmo é de ferramentas que nos ajudem a crescer para ajudarmos o país também — contou.

A venezuelana ainda relata que recebeu o benefício quando chegou ao Brasil em 2018, após sair do seu país por questões políticas. Hoje, afirma que não precisa mais do Bolsa Família para viver.

A busca pelo benefício é acompanhada pelo forte aumento da imigração venezuelana no país. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025, a Venezuela se tornou a principal origem de estrangeiros no Brasil, superando Portugal. Ao todo, 271.514 venezuelanos viviam no país em 2022, número quase 94 vezes maior do que o registrado 12 anos antes.

Segundo o MDS, a participação de pessoas nascidas fora do Brasil no Bolsa Família é possível desde a criação do programa, em 2003, e não há impedimento legal para que estrangeiros residentes no país componham famílias beneficiárias, conforme previsto na Constituição Federal de 1988.

"Todas as famílias inscritas no CadÚnico, independentemente da sua nacionalidade e da sua situação jurídica (imigrante ou refugiado), são submetidas à análise mensal de elegibilidade para ingresso no programa", explicou a pasta em nota.