Número de jovens que não estudam e não trabalham cresce 12,7% no  1º trimestre, mostra levantamento

Número de jovens que não estudam e não trabalham cresce 12,7% no 1º trimestre, mostra levantamento

Fonte: Bandeira



O número de jovens que não trabalham e nem estudam cresceu 12,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao último trimestre de 2025, segundo o levantamento Diagnóstico da Juventude Brasileira, divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Ao todo, 6,2 milhões de jovens estão nessa condição, o que representa 18,7% dos jovens brasileiros.

O Brasil tem 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, representando 15,4% da população brasileira. Segundo o MTE, o levantamento cruza dados do IBGE/Pnad Contínua, do MTE/Rais eSocial.

Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, explica que o crescimento do número de jovens que nem trabalham nem estudam no primeiro trimestre do ano tem influência sazonal, já que é comum que os jovens estejam de férias.

Na contramão, 13,9 milhões de jovens estão ocupados, superando o patamar pré-pandemia em 569 mil pessoas. Destes, a maioria dos ocupados tem entre 18 e 24 anos, sendo 12,5 milhões. Já os adolescentes de 14 a 17 anos representam 1,4 milhão de ocupados.

Entre os jovens, 12,8 milhões só estudam, 9,6 milhões apenas trabalham e 4,3 milhões estudam e trabalham. Para Montagner, a entrada no mercado de trabalho melhorou, mas a permanência nas vagas ainda é curta, principalmente entre adolescentes, com 12% ficando menos de um mês na vaga.

Montagner também destaca que os salários dos jovens continuam baixos, puxados principalmente por funções generalistas, que não necessitam de conhecimento técnico, sendo 11,6 milhões dos jovens ocupados. Destes, 7,8 milhões recebem 1,5 salário mínimo e 2,7 milhões recebem até 1 salário mínimo.

As principais ocupações dos jovens são balconista e vendedor, com 1,24 milhão de trabalhadores. Em seguida, vêm os escriturários gerais, com 1,07 milhão. Apenas 2,15 milhões estão em ocupações técnicas ou de nível superior.

A taxa de participação — que mede a proporção de pessoas que estão trabalhando ou procurando emprego — é de 15,6% entre os adolescentes de 14 a 17 anos. Montagner explica que o número é baixo, mas é esperado e desejável, porque é um sinal de que esse público está na escola. Já os jovens de 18 a 24 anos têm uma taxa de participação de 68,7%.

Já a taxa de desemprego é de 25,1% entre os adolescentes de 14 a 17 anos. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o número é bem menor, de 13,8%, mas ainda representa mais que o dobro da média nacional para todas as idades, que é de 5,8%.

Entre aqueles que trabalham, 57,8% estão em ocupações formais. Ainda assim, 4 em cada 10 jovens seguem sem carteira, concentrados em quem tem menor escolaridade e nas regiões Norte e Nordeste.

Ainda segundo o levantamento, há 708 mil aprendizes em atividade no país e, mesmo nessa modalidade, meninos brancos recebem, em média, 8,4% a mais do que jovens pardos. Já os estagiários são 1,77 milhão de pessoas.


Marcos Alves/Agência O Globo