'Núcleo político do CV' no Amazonas tem assessores parlamentares, servidor do TJ e policiais; veja alvos

 

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Entre os alvos da operação deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas contra um esquema criminoso de tráfico de drogas ligado ao Comando Vermelho, estão pessoas que compõem um "núcleo político" da facção, com suspeitos que possuem acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Segundo as investigações, eles utilizaram empresas de fachada para adquirir drogas da Colômbia e levá-las a Manaus, com movimentações financeiras que chegam a R$ 70 milhões desde 2018.

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Até o momento, 14 pessoas foram detidas, sendo oito no Amazonas. Entre os nomes que já foram presos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida (União), que não é alvo e nem investigado. Além dela, conforme informações do g1, estão servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores parlamentares.

Confira a lista dos oito presos no AM:

Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;

Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;

Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;

Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;

Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;

Osimar Vieira Nascimento – policial militar;

Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.

Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara (AM).

'Núcleo político'

Em relação à capilaridade política dos envolvidos, as investigações mostraram "indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais".

Relatórios de inteligência financeira também apontaram "incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica" declarada pelos envolvidos e pelas empresas vinculadas.

A operação

Denominada Erga Omnes, a ação investiga práticas que envolvem tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. A ação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em Manaus e nas cidades de Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). O mapeamento da ligação com membros em outros estados foi feito a partir da extração de dados telemáticos de celulares.

"As diligências apontaram que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e estruturação em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico", informou a Polícia Civil.

Além dos mandados de prisão e busca e apreensão, a polícia solicitou à Justiça a quebra de sigilo bancário e fiscal, o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos suspeitos.