Núcleo hacker de Vorcaro se empenhava até em derrubar perfis críticos ao Master, aponta PF

 

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A ofensiva digital do dono do Master, Daniel Vorcaro, incluía até mesmo a derrubada de perfis de redes sociais de pessoas críticas ao grupo, utilizando expedientes como invasão de dispositivos ou contas e o monitoramento das telecomunicações. As operações ocorriam no âmbito do grupo "Os Meninos", núcleo hacker voltado a ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital, que receberia em torno de R$ 75 mil para a execução das ações ilegais.

O líder do grupo hacker, David Henrique Alves, recebia pagamentos mensais de cerca de R$ 35 mil para organizar essas operações. Os valores eram repassados por um comparsa do banqueiro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como o “Sicário", responsável pelo gerenciamento do núcleo.

De acordo com a PF, David era responsável por arregimentar operadores com perfil hacker, remunerados para a execução de diversas tarefas ilícitas, como ataques cibernéticos, invasões e derrubada de perfis.

“Em relação a David Henrique Alves, os elementos informativos até aqui reunidos revelam que sua atuação não se restringia à condição de colaborador periférico, mas assumia feição central e diretiva no âmbito do núcleo denominado ‘Os Meninos’, braço tecnológico da organização criminosa investigada”, apontou o relator do caso Master, ministro André Mendonça.

“A representação policial o aponta expressamente como líder do grupo, responsável pela condução operacional de agentes com perfil hacker voltados à prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, monitoramento digital ilícito, derrubada de perfis e obtenção de informações por meios clandestinos, tudo sob a gerência de Felipe Mourão e em atendimento, em tese, aos interesses de Daniel Bueno Vorcaro e do núcleo central da organização.”

A atuação de David se voltava à "reputação online" de Vorcaro, afirmou em depoimento prestado à Polícia Federal, o estudante de ciência da computação Victor Lima Sedlmaier, apontado como operador auxiliar qualificado do núcleo “Os Meninos”. Ele afirmou que David lhe pagava R$ 2 mil por mês para a prestação de serviços.

Procedimentos sigilosos

Conforme revelou o blog, quatro meses antes de ser alvo de uma ordem de prisão expedida pela Justiça Federal de Brasília, Vorcaro teve acesso a três procedimentos que tramitavam sob sigilo no Ministério Público Federal (MPF) – inclusive aquele que apurava irregularidades na compra do Master pelo BRB e que o levaria a ser detido por policiais federais antes de embarcar num jatinho no aeroporto internacional de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025.

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As investigações do caso Master mostraram que, além do sistema do MPF, Vorcaro também teve acesso a informações da própria Polícia Federal e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

A PF investiga se houve vazamento da primeira ordem de prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado.