Novo técnico da França, Zidane comenta casos de racismo contra jogadores da seleção: 'Precisamos combater'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Federação Francesa de Futebol (FFF) anunciou nesta terça-feira Zinédine Zidane como novo técnico da França. Em sua primeira entrevista no comando da equipe, o treinador foi questionado sobre as recentes ofensas racistas sofridas pelos jogadores da seleção, especialmente durante a Copa do Mundo, e frisou a importância de combatê-las. — Talvez não possamos mudar as coisas, mas vivemos num país lindo, com essa diversidade. Eu cresci num bairro onde havia espaço para todos. Precisamos combater o racismo — disse o técnico. Antes da semifinal da Copa contra a Espanha, por exemplo, o ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, que esteve no cargo entre 2011 e 2018, afirmou em uma coluna publicada no jornal El Debate, que a seleção da França tem um "plantel de altíssimo nível", mas "sem franceses", referindo-se aos jogadores negros da equipe. Já nas oitavas de final, a senadora do Paraguai, Celeste Amarilla, publicou nas redes sociais mensagens de cunho racista logo após Mbappé converter o pênalti que garantiu a vitória francesa por 1 a 0 sobre a seleção paraguaia. A Justiça francesa abriu uma investigação contra a senadora por suspeita de insulto público agravado e incitação ao ódio ou à violência após comentários racistas direcionados ao jogador. De acordo com a Promotoria de Paris, os comentários teriam sido motivados pela "origem real ou presumida, etnia, nacionalidade, raça ou religião" da vítima.

Os comentários de Amarilla foram feitos no X, em postagens sobre a comemoração efusiva do atacante na vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, em jogo quente e marcado por confusões. — Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés — escreveu. Em outra mensagem, a parlamentar voltou a direcionar ofensas ao camisa 10 da França: — Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio. Outras respostas de Zidane Ídolo da França como jogador e tricampeão da Liga dos Campeões pelo Real Madrid como treinador, o francês de 54 anos substitui Didier Deschamps, que deixou o cargo após a disputa da Copa do Mundo, com contrato até 2030. Sem comandar uma equipe desde maio de 2021, quando encerrou sua segunda passagem pelo Real Madrid, o técnico era apontado há anos como o principal candidato para assumir a seleção. — É uma alegria imensa. Estou feliz com o que está acontecendo comigo hoje (terça-feira) , não tenho outra palavra para descrever. Estou emocionado, com uma avalanche de emoções. Estou pronto para encarar o desafio — disse Zidane. — Era isso que eu queria fazer. Eu fazia parte da seleção francesa sub-15. Em 1998, foi a melhor coisa que me aconteceu, com meus companheiros de equipe de 1998, graças ao Aimé (Jacquet, então técnico da seleção). Passei esses quatro ou cinco anos esperando por esse dia (ser técnico da seleção). Estou emocionado, muito animado, é algo muito forte para mim, estou feliz — completou. A estreia de Zidane está marcada para setembro, pela fase de grupos da Liga das Nações. A França enfrentará a Turquia no dia 25, fora de casa, e visitará a Bélgica três dias depois. O primeiro compromisso diante da torcida francesa será em 2 de outubro, contra a Itália, antes de um novo duelo com os belgas, em 5 de outubro. Zidane assume a seleção após uma das mais vitoriosas passagens da história recente do futebol francês. Deschamps permaneceu 14 anos no comando da equipe e conquistou a Copa do Mundo de 2018 e a Liga das Nações de 2021. Na Copa de 2026, porém, encerrou sua trajetória com a derrota por 6 a 4 para a Inglaterra na disputa do terceiro lugar.

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