Novo subprefeito da Zona Sul diz que população em situação de rua será o principal foco de sua gestão
Nomeado na última segunda-feira (4) por Eduardo Paes (PSD), o novo subprefeito da Zona Sul, Pedro Angelito, promete imprimir um tom discreto à sua gestão. Ao GLOBO-Zona Sul, ele diz que reconhece o valor das redes sociais para dar visibilidade às ações do órgão, mas que não se vê gravando vídeos com esse teor, como fazia seu antecessor, Bernardo Rubião, exonerado na segunda-feira. E já elegeu sua prioridade: resolver o problema da população em situação de rua, uma das principais queixas de quem vive na região. Defensor da internação involuntária, cita o caso de Florianópolis para balizar sua convicção:
— A situação está muito crítica. Alguns pontos da legislação fazem você não ter tanta liberdade para acolher esta população, então temos que descobrir como endereçar esse problema. Esse vai ser o principal ponto da gestão. Estamos em contato com o pessoal de Florianópolis, que já faz a internação involuntária — reforça, ponderando que é a favor deste método de tratamento a depender do caso. — A partir do momento em que a pessoa coloca a vida em risco de forma rotineira, é papel do Estado cuidar dela. Mesmo com os mecanismos de suporte oferecidos, como refeitório, abrigo, alguns escolhem usar drogas, dormir na rua e colocar a vida em risco.
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Angelito diz que o primeiro plano é "conseguir abordar e ressocializar esses indivíduos" e que está em contato com a Secretaria municipal de Assistência Social para tocar essa frente. Estuda também outras possibilidades, como um similar do aplicativo Acolher, de Florianópolis, que sistematiza informações como identificação, número de abordagens das equipes da prefeitura, histórico de cidade de origem e tipos de encaminhamentos realizados.
No momento, o novo subprefeito começa a travar conhecimento com sua clientela. Já teve reunião com uma associação de moradores da Rocinha e agendou outras com entidades de diferentes bairros. Mas, morador de Ipanema e conhecedor da região, já lista outros problemas que pretende enfrentar, como fiscalização do trânsito, ordenamento de bares e restaurantes, comércio ambulante e consumo e venda de drogas nas ruas:
— Há excesso de mesas e cadeiras nas calçadas. Vamos buscar coordenação com a Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) e outros órgãos para dar conta disso. Outras questões são o comércio ambulante e o consumo e venda de crack nas ruas.
Ele afirma que os moradores continuarão tendo conhecimento, pela imprensa e pelas redes sociais, da atuação da Subprefeitura da Zona Sul. Mas com uma outra abordagem.
— Algumas pessoas personificam a questão, mas já temos o Instagram da subprefeitura, que é fundamental para a prestação de contas. Não me vejo fazendo esses vídeos de "olha, estou aqui em tal local, resolvendo tal coisa". Acredito que o subprefeito tenha um papel de mediador e que o cargo em si não deve ser mais valorizado do que a instituição — pondera.
Quem é Pedro Angelito
O advogado Pedro Angelito, de 26 anos, é formado em Direito pela FGV e tem passagem por escritórios de grande porte, como Otto Lobo e Mattos Filho, onde atuou nas áreas tributária e societária. Até ser nomeado subprefeito, chefiava o núcleo de Produção Legislativa no gabinete do vereador Flávio Valle (PSD), que o indicou ao cargo.
Ele assume o lugar de Bernardo Rubião, que foi exonerado "a pedido", conforme o Diário Oficial da prefeitura, e nomeado em seguida como assistente na Casa Civil. Angelito nega que o motivo da saída do antecessor da subprefeitura tenha sido o descontentamento dos moradores com sua gestão, o que chegou a originar um abaixo-assinado reivindicando sua exoneração. Afirma que Rubião havia tido problemas sérios de saúde em dezembro e foi convencido pelo prefeito Eduardo Paes a deixar o cargo.
— A informação de que o Bernardo foi exonerado por conta de um abaixo-assinado não é verdadeira. O abaixo-assinado foi feito depois de um desentendimento que ele teve com os moradores — diz Angelito. — Ele infartou e teve embolia pulmonar no final do ano passado, (e a saída da subprefeitura) era algo que já havia sendo cogitado. Ele percebeu que tinha que focar na saúde. Diz que foi uma escolha dele, com pressão do Paes. Foi uma transição superamigável.
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