Novo secretário dos EUA para AL tem perfil mais econômico, mas já criticou Moraes - QTU Questões do Universo

Novo secretário dos EUA para AL tem perfil mais econômico, mas já criticou Moraes

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O empresário republicano Juan Pablo Segura é o novo secretário adjunto de Estado dos EUA para Assuntos do Hemisfério Ocidental.
O braço do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob chefia de Marco Rubio, é responsável por atuar diretamente nas relações com os países das Américas, incluindo o Brasil.

Segura assumiu na sexta-feira, 14, no lugar de Michael Kozak, diplomata que ocupava o cargo interinamente desde o ano passado.
A mudança ocorre no momento em que o governo de Donald Trump tem intensificado sua agenda para a América Latina.

Na segunda-feira (17), primeiro dia à frente da secretaria, Segura disse em sua conta na rede social X ser "uma grande honra" servir a Trump, a Marco Rubio e ao povo americano.

"Avançaremos com a visão do presidente Trump para nossa região, de ser segura contra cartéis e narcoterroristas, gerar prosperidade para os americanos e nossos parceiros e assegurar nossas fronteiras", afirmou.
No passado, Segura citou especificamente o Brasil em diversas ocasiões, principalmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em fevereiro de 2025, sem mencionar o magistrado, Segura afirmou em sua conta no X que "o respeito à soberania é uma via de mão dupla com todos os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil".
A manifestação ocorreu após Moraes impor multas milionárias e ordens de bloqueio a plataformas de tecnologia americanas que se recusaram a cumprir ordens judiciais brasileiras de remoção de perfis e de conteúdos.
"Bloquear o acesso a informações e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão", disse Segura.
Meses depois, quando os EUA anunciaram sanções da Lei Magnitsky contra o ministro, no fim de julho, Segura afirmou que eles usariam "todos os instrumentos diplomáticos, políticos e jurídicos apropriados e eficazes para combater atores estrangeiros malignos".
Em agosto, Segura escreveu, em português, que Alexandre de Moraes, "já sancionado pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos", continuava "usando as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia".
"Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro de se defender publicamente não é um serviço público.
Deixem Bolsonaro falar!", exclamou.
Segurado reagia à ordem de Moraes que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente brasileiro.
Ele disse que os EUA condenavam a determinação e responsabilizariam "todos aqueles que colaborarem ou facilitarem condutas sancionadas".
Dias depois, escreveu que o juiz era "nocivo a todas as empresas e indivíduos legítimos que buscam acesso aos EUA e aos seus mercados".
"Nenhum tribunal estrangeiro pode invalidar sanções dos Estados Unidos — nem isentar ninguém das graves consequências de violá-las", afirmou.

"Pessoas sujeitas à jurisdição dos EUA estão proibidas de realizar transações com ele, e pessoas não sujeitas a essa jurisdição devem agir com cautela: aqueles que prestam apoio material a violadores de direitos humanos também correm o risco de sofrer sanções", acrescentou.
Em setembro, quando os EUA ampliaram as restrições da Magnitsky à esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e suas empresas, Segura disse que os Estados Unidos continuariam "a proteger" seus interesses nacionais "visando àqueles que apoiam e viabilizam as ações do ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro Alexandre de Moraes, o qual foi sancionado no âmbito do programa de sanções Global Magnitsky por graves violações de direitos humanos".
Apesar das afirmações de Segura, parte dos analistas tem a avaliação de que a definição de um nome definitivo para um cargo que seguia ocupado apenas interinamente pode ajudar na comunicação entre setores públicos e privados do Brasil e os EUA.
Além disso, dizem, Segura é visto como de perfil mais econômico, mas, ainda assim, precisa alinhar seus discursos com os de seus chefes.
Doutrina Monroe
Na sabatina no Senado americano em junho deste ano para a aprovação de seu nome, Segura afirmou estar "particularmente entusiasmado" com a prioridade que a administração Trump tem dado "à diplomacia comercial no Hemisfério Ocidental".
Ele se disse grato pela confiança que Trump e Marco Rubio depositaram a ele "nesse momento decisivo de nosso engajamento com o Hemisfério".

Segura afirmou ainda que a estratégia de Segurança Nacional de Trump "ressalta a importância crítica do Hemisfério Ocidental", e que a administração "estabeleceu uma agenda ambiciosa" que inclui proteger a fronteira, derrotar grupos narcoterroristas, proteger infraestruturas críticas e expandir as oportunidades econômicas para os americanos.
Ele também ressaltou que a estratégia do governo reafirmará a Doutrina Monroe "para restaurar a proeminência americana no Hemisfério Ocidental e conter a influência de adversários globais e atores nocivos na região".
Segundo ele, o governo está "implementando agressivamente essa estratégia com parceiros regionais", expandindo cooperações bilaterais e criando novas iniciativas, como o Escudo das Américas (Shield of Americas) e a Coalizão das Américas Contra os Cartéis (Americas Counter Cartel Coalition).
Filho de bilionário
De ascendência argentina, Juan Pablo Segura foi secretário de Comércio da Virgínia em 2025, no último ano da gestão do governador republicano Glenn Youngkin.
Antes, em 2023, disputou uma vaga no Senado estadual da Virgínia, mas acabou derrotado.
Sua campanha foi financiada por seu pai, Enrique Segura, bilionário empresário argentino-americano do ramo de sistemas de segurança e monitoramento.
Em 2014, Segura fundou a empresa Babyscripts, de prestação de cuidados pré-natais e pós-parto com foco em tecnologia.