Novo reduto de bilionários? Bolsa de Nova York vai lançar clube exclusivo, com entrada apenas por convite

 

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A Bolsa de Valores de Nova York (NYSE, na sigla em inglês) pretende resgatar uma tradição histórica de Wall Street: os clubes privados frequentados por operadores do mercado financeiro, conhecidos por oferecerem mimos para lá de luxuosos, revelou o jornal britânico Financial Times.

A ideia de um ambiente seleto de investidores remonta ao século passado, onde se reunium em um mesmo lugar compradores e vendedores. No cardápio, eram oferecidos drinques como martínis e pratos como consommé, caldo francês. Salas silenciosas e um ambiente reservado para negociações longe do barulho dos antigos pregões viva-voz também faziam parte do ambiente.

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A previsão é que a maior Bolsa de valores do mundo inaugure o espaço no verão do Hemisfério Norte, entre junho e setembro. O novo clube exclusivo para convidados em Wall Street funcionará em um cofre reformado que antes armazenava certificados de ações. A iniciativa ocorre em um momento em que a NYSE disputa grandes ofertas públicas iniciais (IPOs) de grupos privados de tecnologia dos EUA, como SpaceX, do bilionário Elon Musk, Anthropic e OpenAI.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a presidente do NYSE Group, Lynn Martin, terá a palavra final sobre quais nomes do mercado financeiro serão aceitos no clube. Procurada pelo FT, a NYSE não comentou.

Os clubes privados fizeram parte da cultura de Wall Street durante boa parte do século XX. Entre os mais conhecidos estava o Stock Exchange Luncheon Club, da própria NYSE, fundado em 1898 e fechado em 2006, quando as negociações eletrônicas já haviam praticamente substituído as operações presenciais.

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O clube era conhecido pelo ambiente reservado e pela exclusividade. Bill Singer, ex-advogado da então American Stock Exchange que frequentava o local nos anos 1980, descreveu o Luncheon Club como um espaço de “alta sociedade”. Segundo ele, “receber um convite era algo muito importante”. Singer afirmou ainda que o ambiente era “super reservado” e relembrou uma visita do ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger.

Steven Blitz, economista-chefe para os EUA da TS Lombard, também visitou o clube no fim dos anos 1980. Ele descreveu o espaço como “lindo”, com pisos de madeira clara, cabeças de cervo nas paredes, além de sanduíches de frango assado servidos no almoço.

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Nas últimas décadas, porém, o centro financeiro de Nova York se deslocou de Wall Street para Midtown, onde estão as sedes de bancos como Morgan Stanley e JPMorgan. Ao mesmo tempo, as Bolsas passaram a se posicionar mais como empresas de dados de mercado do que como espaços físicos de negociação.

A participação da NYSE no mercado acionário americano também caiu diante da concorrência de novas Bolsas e dos chamados “dark pools” privados voltados para investidores institucionais. Há hoje, por exemplo, forte concorrência da Bolsa de Nova York com a Nasdaq, que concentra papéis de companhias ligadas ao setor de tecnologia.

As mudanças nos hábitos de trabalho também reduziram a cultura dos longos almoços de negócios. Por isso, Singer avalia que os esforços da NYSE para recriar a atmosfera do antigo Luncheon Club e atrair os negociadores de volta a Wall Street podem enfrentar dificuldades diante da concorrência de outros clubes sofisticados, como o Colette Club e o Aman.

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