Novo MIS inaugura primeira exposição contando a história da construção do prédio na orla de Copacabana

 

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“A sorrir, eu pretendo levar a vida”, trecho da música “O sol nascerá”, de Cartola, foi escolhido para estampar o painel da exposição temporária “Arquitetura em cena, o MIS Copa antes da imagem e do som”, aberta no início da noite de ontem em Copacabana, na Zona Sul. Ainda não se trata da inauguração oficial do novo prédio do Museu da Imagem e do Som (MIS), mas da primeira mostra a ser exibida no espaço, que apresenta ao público justamente os bastidores e os desafios da construção. A iniciativa é do governo do estado em parceria com a Fundação Roberto Marinho (FRM).

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A cerimônia reuniu autoridades como o governador em exercício, Ricardo Couto, a secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Daniele Barros, o secretário-chefe da Casa Civil, Marcos Simões, o secretário de Obras Públicas, Raul Veiga, e o ex-governador Cláudio Castro, além do presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Merval Pereira, e João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho.

— Essa obra é resultado do esforço de muitas mãos. A Fundação colaborou com a arquitetura, com a curadoria do arquivo do MIS, para pensar a fruição deste acervo. É um espaço de reconquistas — disse João Alegria. — Não é um lugar apenas para visitar, mas para ser frequentado. Fora que ele dispõe da melhor e mais completa vista da curva da Praia de Copacabana. Encontrar a Carmem Miranda no terceiro andar, ouvir a Rádio Nacional no quarto, são espaços que passam a fazer parte da vida da cidade.

A secretária Daniele Barros destacou a complexidade da obra, que se arrastou por anos:

— Foi uma obra muito desafiadora para o governo. Exigiu resiliência e resistência do governo do estado. O MIS é um equipamento muito complexo na sua arquitetura, tudo tem uma explicação e uma especificidade. Não bastava vontade política, não é, ex-governador? — disse a secretária, referindo-se a Castro, que deixou o cargo no fim do mês passado e pretende concorrer ao Senado nas eleições de outubro.

Foi um longo percurso até o novo MIS chegar ao estágio atual, desde o início do processo de desapropriação da boate Help, em 2008. A obra começou em 2011, sendo interrompida cinco anos depois e retomada em 2021.

Durante a cerimônia, o governador em exercício associou a abertura do MIS a um momento simbólico da cidade e fez um aceno ao seu antecessor, de quem estava distante na primeira fileira e a que cumprimentou brevemente ao chegar ao evento.

— É especial ter o museu aqui, em Copacabana, que representa tudo para o Rio e pode projetar uma imagem do Brasil. A cultura se movimenta e saiu do Centro para se instalar aqui. Faço um elogio ao governador Cláudio Castro: a ideia de trazer o Museu da Imagem e do Som (MIS) para cá surgiu em 2009, mas só ganhou forma em 2021. Obrigado também às Organizações Globo e à Fundação Roberto Marinho, que muito fazem pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil — afirmou Couto.

Só visitas marcadas

Por ora, as visitas serão guiadas e destinadas a grupos de estudantes das escolas públicas. O público em geral poderá visitar a exposição a partir do dia 8 de maio, por meio de agendamento on-line.

De acordo com o governo do Rio, o museu será inaugurado por completo até o fim do ano. Nos oito andares do edifício, quando tudo estiver pronto, o visitante verá, por exemplo, uma instalação que vai reproduzir o piano de Ernesto Nazaré, o sax de Pixinguinha e a bateria de Luciano Perrone. No quarto pavimento, ficarão reproduções de imagens de Augusto Malta e Guilherme Santos, que retrataram o Rio entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do XX.

Ao fim da cerimônia de ontem, o maestro João Carlos Martins emocionou o público ao se apresentar ao piano. Mesmo após dezenas de cirurgias, interpretou peças de Bach e Mozart, além de “Eu sei que vou te amar”, de Antonio Carlos Jobim. Para encerrar a noite, regeu “Trem das Onze”, que definiu como o hino de São Paulo, mas que, naquela ocasião, serviu como homenagem ao Rio.

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