Novo ministro diz que governo tomará mais medidas para evitar efeitos da guerra e diz que regulação de trabalho por app fica para depois das eleições

 

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Recém-empossado como ministro das Relações Institucionais, José Guimarães anunciou nesta quinta-feira que o governo deve tomar em breve novas medidas econômicas para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio no preço dos combustíveis. Sem entrar em detalhes, Guimarães disse que o tema está sendo discutido pelo Ministério da Fazenda e a Casa Civil. O novo articulador político do Palácio do Planalto também afirmou que as discussões sobre regulamentação de trabalho por aplicativo deve ficar para depois das eleições e ainda defendeu a revogação da chamada "taxa das blusinhas", que, segundo ele, motivou desgaste ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

—O governo está elaborando medidas que não estão ainda todas em conta, como nós já falamos, é para resolver, para ajudar. Não deixar que o tributo que se recaia sobretudo dos consumidores. O governo está trabalhando, não é fácil isso porque a economia é uma economia globalizada e tem impacto no diesel, na gasolina. Nos próximos dias o governo deve anunciar mais medidas sobre isso — afirmou — Não vamos deixar que a conta seja transferida para o consumidor, nós não podemos aceitar isso — disse.

Há dez dias, o governo anunciou um pacote de medidas para conter os efeitos da guerra no preço dos combustíveis, entre as quais a subvenção de R$ 1,20 para a importação de diesel rodoviário e mais subvenção de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil, além de isenção de impostos federais sobre o biodiesel.

Na avaliação do ministro, as medidas anunciadas até aqui são "insuficientes para dar conta do tamanho do estrago que essa guerra está fazendo".

— Dario (Durigan, ministro da Fazenda) está ciente, está conversando, acho que logo tomará outras medidas — disse o ministro.

Adiada nesta semana por falta de acordo, a discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo deve ficar para depois da eleição, segundo o ministro. Guimarães afirmou que o tema foi deixado para depois devido ao não alinhamento sobre o tema entre Congresso, governo e empresas. Para o ministro, se o texto fosse aprovado como está, o ônus político recairia sobre o governo

— Sabe porque que não deixamos votar? Que a conta que é toda para o governo, engraçado. As plataformas por um lado, os entregadores de outros, os donos de app de outro e a conta ficaria com governo. Por isso não deixamos votar — afirmou.

Em discussão no governo, a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, cobrança de 20% sobre importações de até US$ 50 em vigor desde 2024, foi defendida por Guimarães. O ministro classificou esse imposto como um dos "um dos elementos mais fortes de desgaste do governo". No governo, essa discussão está atrelada a anseio do Palácio do Planalto de ampliar a popularidade de Lula frente a maior competitividade da candidatura de Flavio Bolsonaro nas pesquisas.

— Quando essa matéria foi votada, eu achava que não deveria ser aprovada. Para mim foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se governo decidirem revogar, acho uma boa — afirmou —Na minha opinião, se tiver que aumentar o endividamento do país, para salvar a economia popular. Tem que fazer — disse.