Novo medicamento contra câncer de pâncreas metastático quase dobra a sobrevida geral em estudo
As ações da Revolution Medicines Inc. dispararam, registrando a maior alta em seis anos, após seu tratamento para uma forma agressiva de câncer pancreático aumentar a sobrevida de pacientes em um ensaio clínico de fase final, marcando um avanço significativo no tratamento dessa condição particularmente letal.
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Pacientes com câncer pancreático metastático que receberam o daraxonrasib, da Revolution, apresentaram melhorias estatisticamente significativas em uma medida de crescimento tumoral e sobrevida global, em comparação com aqueles que receberam quimioterapia, informou a empresa na segunda-feira (13). A sobrevida global mediana foi de 13,2 meses com o medicamento experimental, em comparação com 6,7 meses para a quimioterapia, o padrão atual de tratamento.
As ações da Revolution subiram 37% na abertura do mercado em Nova York na segunda-feira, seu maior avanço desde fevereiro de 2020. Em uma nota aos clientes, o analista Joseph Catanzaro, da Mizuho, afirmou que os resultados de sobrevida global foram "notáveis" e aumentaram as chances de o medicamento ser usado como tratamento inicial para pacientes recém-diagnosticados.
"Este é, sem dúvida, o melhor resultado possível" para a Revolution, acrescentou o analista Faisal Khurshid, da Jefferies.
A expectativa em torno do medicamento contra o câncer da Revolution — e o fato de a empresa ser alvo de uma possível aquisição — fez com que suas ações disparassem 164% no último ano.
Em janeiro, o Wall Street Journal noticiou que a Merck & Co. estava em negociações para adquirir a Revolution, mas as conversas foram interrompidas após as duas empresas não chegarem a um acordo sobre o preço.
O câncer de pâncreas tem a maior taxa de mortalidade entre os principais tipos de câncer, com apenas 13% dos pacientes sobrevivendo cinco anos após o diagnóstico. Cerca de 67 mil pessoas serão diagnosticadas com câncer de pâncreas este ano e mais de 52 mil morrerão em decorrência da doença, segundo a Sociedade Americana do Câncer.
O medicamento da Revolution ganhou destaque neste mês quando o ex-senador americano Ben Sasse declarou ao New York Times que estava tomando o comprimido diário após ser diagnosticado com câncer de pâncreas em estágio 4.
Pacientes com câncer pancreático metastático têm poucas chances de cura com qualquer tratamento, e o objetivo da empresa é aumentar a expectativa e a qualidade de vida, segundo Mark A. Goldsmith, CEO da Revolution.
"Isso elevará significativamente o nível de sobrevida em um dos cânceres mais letais do mundo", afirmou ele sobre os resultados do estudo.
O medicamento da empresa visa bloquear um gene chamado RAS que, quando mutado, causa diversas formas de câncer. Em outubro, o daraxonrasib, da Revolution, foi selecionado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para um novo programa que visa acelerar a aprovação de medicamentos promissores.
A empresa planeja submeter os dados à FDA e a outras autoridades regulatórias globais para aprovação. Analistas de Wall Street esperam que o medicamento da Revolution gere US$ 3 bilhões em vendas anuais até 2030, caso seja aprovado.
