Novo jato militar especializado dos EUA é rastreado no Oriente Médio, às vésperas das negociações entre Washington e Teerã

 

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Um terceiro jato especializado da Força Aérea dos Estados Unidos chegou ao Oriente Médio nesta quinta-feira, identificou o BBC Verify, equipe da emissora britânica especializada em checagem de fatos. Dois desses jatos, que funcionam como centros de comunicação aérea, já haviam sido deslocados para a região na semana passada. A movimentação ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas com o Irã após a repressão sangrenta a protestos em todo o país no mês passado, e enquanto Teerã quer que as conversas com Washington, que começam nesta sexta-feira, em Omã, se limitem ao seu programa nuclear, embora Washington também queira abordar a questão dos mísseis balísticos.

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Segundo a equipe da BBC, a aeronave, um E-11A, partiu ontem do Aeroporto Internacional de Chania, na ilha grega de Creta, e pousou cerca de quatro horas depois na Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita.

Entre os deslocamentos monitorados nos últimos dias também estão cerca de 12 caças F-15, um drone de combate MQ-9 Reaper e várias aeronaves A-10C Thunderbolt II na base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia. Além disso, a equipe acompanhou a movimentação do contratorpedeiro USS Delbert D. Black pelo Canal de Suez rumo ao Mar Vermelho, e a atuação de drones e aviões de vigilância na região do Golfo. Também foram registrados voos de aeronaves como o MQ-4C Triton, o P-8 Poseidon e o E-3G Sentry.

O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln e sua escolta também chegaram ao Oriente Médio no fim de janeiro.

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Enquanto isso, no Golfo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter interceptado dois navios petroleiros com tripulações estrangeiras, sob acusação de "contrabando de combustível", informou nesta quinta-feira a agência de notícias iraniana Tasnim. Inicialmente, não foi informada qual bandeira os navios ostentavam nem a nacionalidade dos tripulantes.

"Foi encontrado mais de um milhão de litros de combustível a bordo dos dois navios", e um total de "15 estrangeiros membros da tripulação foram encaminhados à Justiça", informou a Tasnim. Os navios foram interceptados perto da ilha iraniana de Farsi, no Golfo, precisou a agência. Os navios-tanque estiveram "envolvidos em operações de contrabando durante vários meses e foram identificados e interceptados após operações de vigilância, interceptação e inteligência" das forças navais da Guarda Revolucionária Islâmica, acrescentou.

As forças iranianas atacam regularmente petroleiros que acusam de integrar o comércio ilícito no Golfo e no estreito de Ormuz, pontos-chave para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Trata-se da apreensão mais recente em uma série de episódios semelhantes registrados nos últimos meses.

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Arte/ O GLOBO

Negociações em Omã

Todas essas movimentações ocorrem enquanto as conversas entre os dois países sobre o programa nuclear iraniano estão previstas para começar nesta sexta-feira, em Omã. Os dois países mantiveram diálogos no começo de 2025 com a mediação de Omã. Mas uma guerra em junho daquele ano, desencadeada por Israel e à qual os Estados Unidos se juntaram brevemente, fez o processo fracassar antes do sexto encontro.

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Após a repressão ao movimento de protesto no Irã no começo de janeiro, Donald Trump ameaçou com uma nova intervenção militar. Finalmente, o presidente americano parece ter optado pela diplomacia e pressiona o Irã a concluir um acordo sobre seu programa nuclear e balístico.

Os países ocidentais, a começar por Estados Unidos e Israel, considerado pelos especialistas como a única potência nuclear no Oriente Médio, suspeitam que o Irã queira desenvolver uma arma atômica, algo que Teerã sempre negou.

Em junho de 2025, os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares no Irã (Fordow, Natanz e Isfahã), o que permitiu, segundo Trump, "aniquilar" o programa nuclear do país. No entanto, não se conhece a extensão exata dos danos.

Antes destes ataques, o Irã enriquecia urânio a 60% segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), isto é, muito acima do limite de 3,67% autorizado pelo acordo nuclear de 2015, que caducou nesta quinta-feira, concluído com as grandes potências.

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Em resposta à retirada dos Estados Unidos desse acordo em 2018, o Irã deixou de cumprir seus compromissos.

O urânio enriquecido entre 3% e 5% serve para alimentar as usinas nucleares para a produção de energia elétrica. Até 20%, serve para produzir isótopos médicos, usados especialmente no diagnóstico de alguns tipos de câncer. Mas a partir desse limite, pode ter aplicações militares em potencial, segundo especialistas. E para fabricar uma bomba, o enriquecimento deve chegar a 90%.

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Vários países, como a Rússia, propuseram ao Irã custodiar suas reservas de urânio enriquecido, ao que Teerã se nega.

Embora o Irã queira que os diálogos se limitem à questão nuclear e à suspensão das sanções, em 2018 a retirada americana do acordo nuclear foi motivada, em parte, pela ausência de medidas para limitar o programa balístico do Irã, considerado uma ameaça para Israel. Segundo o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, esta questão deveria ser debatida na mesa de negociações, particularmente o alcance dos mísseis, apesar da negativa do Irã.

A República Islâmica lidera o chamado Eixo da Resistência, uma aliança informal de grupos armados hostis a Israel, da qual fazem parte o movimento Hezbollah no Líbano, o Hamas em Gaza e os rebeldes houthis no Iêmen.

Com agências internacionais.