Novo estudo explica por que a Terra esfriou após a era dos dinossauros
Durante décadas, cientistas tentaram compreender como a Terra deixou de ser um planeta quente, com florestas tropicais avançando sobre altas latitudes, para assumir o clima mais frio e estável atual, marcado por calotas polares. Essa transição, iniciada após a extinção dos dinossauros, ocorreu de forma gradual ao longo dos últimos 66 milhões de anos. Um novo estudo internacional sugere agora que a resposta para esse enigma passa pela quÃmica dos oceanos, um fator até então subestimado nas explicações climáticas de longo prazo.
Pesquisadores liderados pela Universidade de Southampton indicam que a queda contÃnua dos nÃveis de cálcio dissolvido na água do mar teve papel decisivo nesse processo. Segundo o trabalho, publicado, no inÃcio do mês de janeiro, nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences), a concentração de cálcio nos oceanos diminuiu mais de 50% ao longo da Era Cenozoica, alterando profundamente a forma como os mares trocavam carbono com a atmosfera.
O papel ativo dos oceanos no clima
De acordo com os autores, logo após a extinção dos dinossauros, os nÃveis de cálcio eram cerca do dobro dos atuais. Essa condição favorecia a liberação de dióxido de carbono para a atmosfera, reforçando o efeito estufa. Com o passar de milhões de anos, a redução do cálcio modificou processos biogeoquÃmicos marinhos e ampliou a capacidade dos oceanos de reter carbono, contribuindo para uma queda sustentada do COâ‚‚ e para o resfriamento global.
O autor principal do estudo, David Evans, afirma que os resultados redefinem o papel dos oceanos na história climática do planeta. Segundo ele, quando o cálcio era mais abundante, os mares armazenavam menos carbono e liberavam mais CO₂. À medida que essa concentração diminuiu, o processo se inverteu, permitindo uma redução da temperatura média global estimada entre 15 °C e 20 °C ao longo do Cenozoico.
Para chegar a essas conclusões, a equipe analisou foraminÃferos — micro-organismos marinhos cujas conchas fossilizadas preservam a composição quÃmica da água do mar. Esses registros, combinados a modelos computacionais do ciclo do carbono, permitiram reconstruir com alta precisão a evolução quÃmica dos oceanos e sua influência sobre a atmosfera.
O estudo também relaciona a queda do cálcio oceânico a processos geológicos profundos, como a desaceleração da expansão do fundo do mar, que reduziu o aporte desse elemento à água oceânica. Para os pesquisadores, essa dinâmica mostra que os oceanos não apenas reagiram à s mudanças climáticas, mas atuaram como reguladores centrais do clima ao longo de eras geológicas. A descoberta amplia a compreensão sobre o passado climático da Terra e oferece novos subsÃdios para aprimorar modelos que projetam o futuro do sistema climático em um cenário de aumento acelerado do dióxido de carbono.
