Nova York quer levar o clima de Copa do Mundo para seus bairros de imigrantes
No bairro de Little Haiti, assim como em outras partes da cidade, a prefeitura de Nova York tenta conectar seus bairros de imigrantes à Copa do Mundo de futebol, apesar do clima de desânimo que se instalou em comunidades fragilizadas pela política migratória do governo de Donald Trump.
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Nessa área de Flatbush, no Brooklyn, que lembra de certa forma Porto Príncipe, ruas comerciais antes movimentadas hoje estão visivelmente mais tranquilas.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025, Mahalia Desrosiers, gerente de projetos da associação local Little Haiti BK, viu alguns comércios fecharem as portas, embora o bairro não tenha sido alvo de operações policiais como em outras cidades.
Mas, com o Haiti participando pela primeira vez da Copa do Mundo em 52 anos, o evento pode “dar às pessoas uma sensação de vida, esperança e energia”, afirma ela à AFP.
— Os haitianos vão colocar suas bandeiras por toda parte. Vamos pintar esta cidade de vermelho e azul — entusiasma-se.
Antes do apito inicial, em 11 de junho, equipes da prefeitura da cidade, administrada pelo democrata Zohran Mamdani, nascido em uma família de imigrantes de origem indiana, percorrem diferentes comunidades para conscientizá-las sobre as oportunidades comerciais ligadas ao principal torneio do futebol mundial.
Novos clientes?
O escritório de turismo da cidade prepara um calendário de eventos para que os visitantes possam assistir aos jogos nesses bairros, e não apenas nas áreas turísticas de Manhattan. Também serão publicados nas redes sociais vídeos curtos promovendo festas de transmissão dos jogos.
Outro programa fornecerá a bares e restaurantes copos promocionais ligados ao torneio. Cerca de 600 estabelecimentos já aderiram até o momento.
Com a Copa do Mundo, “é a oportunidade de alcançar talvez um novo mercado, um novo grupo de pessoas que não necessariamente frequentariam o seu estabelecimento antes”, diz aos comerciantes Jacques Brunvil, do Departamento de Serviços para Pequenas Empresas de Nova York (SBS).
Multiplicando as ações de conscientização também em outros distritos populares do Queens e do Bronx, Brunvil vê a cidade como palco de uma espécie de festival esportivo itinerante celebrando a diversidade nova-iorquina.
— Acreditamos que, dependendo dos jogos, veremos grupos de pessoas se deslocando para diferentes bairros: Little Haiti para assistir a uma partida do Haiti ou Little Senegal (no Harlem) para a do Senegal... As pessoas vão circular para sentir a vibração junto aos torcedores de cada país — afirma.
Seiscentos dólares a entrada
Em geral, segundo representantes políticos, é difícil medir o impacto econômico das medidas mais rígidas na área de imigração adotadas pelo governo federal, que vêm provocando um aumento das deportações.
Haris Kahn, responsável pelo SBS, declarou recentemente que a Copa do Mundo “não apagará completamente um ano e meio de dificuldades para alguns desses comércios. Mas será importante”.
No Golden Blue Bar & Restaurant, em Little Haiti, o movimento desde a abertura, em 2020, tem sido irregular: primeiro a pandemia e, mais recentemente, as preocupações relacionadas à polícia de imigração (ICE).
Mas Amantha Chery, que ajuda a administrar o restaurante dos pais, demonstra confiança de que a comunidade irá aos bares e restaurantes durante a Copa do Mundo, que também será disputada no México e no Canadá.
Os ingressos para a estreia do Haiti contra a Escócia, em 13 de junho, em Boston, Massachusetts, estão sendo vendidos atualmente por mais de US$ 600 na plataforma Stubhub. Preços elevados que, ela acredita, “são melhores” para os comerciantes.
O restaurante, conhecido por seus plátanos fritos e empanadas, conta com duas televisões no salão principal, além de uma varanda onde pode ser instalada uma tela gigante.
— Foi difícil, a forma como o Haiti foi retratado na imprensa... esse discurso de que "o Haiti é tão perigoso", tudo isso — lamenta. — Mas existe tanta resiliência e beleza na nossa cultura, no nosso povo. Fico feliz que finalmente estejamos na imprensa por algo extraordinário.
