Nova temporada de 'Sequestro' tem Idris Elba e grande elenco e muitas guinadas

 

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A primeira temporada de “Sequestro” acompanhava a ação de um grupo criminoso num voo de Dubai a Londres — o título é autoexplicativo. O roteiro era beneficiado pelo seu truque central: simular a ação em tempo real. A ideia de espremer os acontecimentos em sete horas (e sete capítulos) fazia a tensão subir e ajudava a trama a escapar dos perigos do marasmo de uma situação de confinamento. Outra força da série era seu personagem central, vivido com brilho e credibilidade por Idris Elba. Três anos depois, a Apple TV+ acaba de lançar a segunda temporada. O sequestro agora acontece no metrô.

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Ambientada na Alemanha, a narrativa logo se abre em vários polos. No centro de tudo, acompanhamos os passos de Sam Nelson (Elba). Ele agora está em Berlim. Ficou mais sério, parece cansado e entristecido. Um dos mistérios que se apresentam de cara é exatamente o que o afetou no interregno entre as temporadas.

Idris Elba/Hijack

Appletv

O protagonista entra numa estação e se movimenta com pressa e tensão até embarcar num vagão. Somos apresentados a outros passageiros: um grupo de estudantes, turistas etc. O maquinista, Otto (Christian Näthe), também entra em foco. Um terceiro cenário importante é o Centro de Controle do U-Bahn, lugar onde trabalha Clara (Lisa Vicar), uma nova funcionária. Finalmente, a ex-mulher de Sam, Marsha (Christine Adams), é vista num chalé isolado na neve, numa área rural da Inglaterra.

O suspense evolui quando Sam anuncia o sequestro da cabine de Otto. Clara, apavorada, dialoga com ele e chama a polícia. Os reféns demoram a saber o que está acontecendo, mas, eventualmente, isso acontece. Olivia (Clare-Hope Ashitey), uma mulher que estava aguardando Sam na embaixada britânica por alguma razão misteriosa, entra na história.

O recurso da encenação do “ao vivo” — que foi uma ótima surpresa na primeira temporada (crítica aqui)— sumiu. Já não estamos no céu, mas embaixo da terra. Essas duas escolhas são visivelmente parte de um grande esforço para tentar evitar a impressão de repetição de uma fórmula. De fato, os novos episódios são marcados por algumas boas ideias. De novo, Idris Elba enche a tela com sua estrela e talento. Porém, aquele frescor que a série transmitiu no passado ficou para trás. Não tem jeito: há uma imensa dose de repetição, um traço da natureza das histórias esticadas.

Christine Addams/Hijack

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Ao abandonar o artifício do tempo real, a nova temporada também abdica de parte de sua identidade. A fragmentação da narrativa permite ampliar o universo da série, mas dilui a urgência que antes mantinha o espectador preso à tela. O resultado é um suspense mais convencional, dependente de reviravoltas e revelações graduais, em vez daquela pressão constante que transformava cada minuto em ameaça. “Sequestro” continua bem produzida, mas agora disputa espaço num território já bastante conhecido, onde sua originalidade pesa menos.