Nova suspeita: mulher que viajou de avião com paciente holandesa que morreu por hantavírus é hospitalizada na Espanha

 

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Uma mulher que esteve no mesmo avião que uma paciente holandesa ligada ao surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius foi hospitalizada na Espanha após apresentar sintomas compatíveis com a infecção, anunciaram autoridades sanitárias nesta sexta-feira.

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Segundo o secretário de Estado da Saúde da Espanha, Javier Padilla, a mulher apresenta "sintomas compatíveis", entre eles tosse, e foi encaminhada a um hospital, onde permanece em um quarto de isolamento até ser submetida a testes.

A passageira estava no voo que faria a rota entre Joanesburgo, na África do Sul, e Amsterdã, na Holanda. A paciente holandesa que morreu depois de deixar o cruzeiro havia embarcado na aeronave, mas precisou desembarcar antes da decolagem.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem reiterado que o risco de propagação para a população mundial é "absolutamente baixo", embora acompanhe de perto a circulação da cepa Andes — variante rara associada, em circunstâncias específicas, à transmissão entre humanos por contato muito próximo.

No centro de um alerta sanitário internacional desde o fim de semana, o navio segue em direção à ilha espanhola de Tenerife, nas Canárias, onde, a partir da próxima semana, está prevista a retirada de cerca de 150 passageiros e tripulantes.

Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, infecção geralmente associada ao contato com roedores. No caso do MV Hondius, exames identificaram a cepa Andes — a única variante conhecida com registros de transmissão de pessoa para pessoa em situações de contato muito próximo.

— Até hoje, foram registrados oito casos, incluindo três mortes. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos — informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Genebra.

Como o período de incubação da cepa Andes pode chegar a até seis semanas, "é possível que mais casos sejam relatados", acrescentou.

Os três mortos ligados ao cruzeiro — que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde — são um casal de holandeses e uma passageira alemã.

Atualmente, também há passageiros hospitalizados ou sob vigilância médica na Holanda, Suíça, Alemanha e África do Sul.

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A OMS fez questão de afastar comparações com a covid-19 e reiterou que o risco epidêmico global permanece baixo.

— Não é o começo de uma pandemia — afirmou Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, na primeira coletiva da agência desde o início da crise.

O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, reforçou que o surto será "limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e houver solidariedade entre todos os países".

— A situação está, em nossa opinião, amplamente sob controle — afirmou na noite de quinta-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentando que um "relatório completo" seria divulgado nesta sexta-feira.

Origem do contágio segue indefinida

A origem do foco ainda é desconhecida. Segundo a OMS, o primeiro contágio ocorreu antes mesmo do início da expedição, já que o primeiro passageiro morto — um holandês de 70 anos — apresentou sintomas em 6 de abril, poucos dias após o embarque.

Ele e a esposa haviam viajado por Chile, Uruguai e Argentina antes de entrar no navio.

O Ministério da Saúde do Chile afirmou que é improvável que o casal tenha sido infectado em território chileno, já que a passagem pelo país ocorreu "em um período que não corresponde ao de incubação".

Já as autoridades sanitárias argentinas disseram que, "com as informações fornecidas até o momento (...) não é possível confirmar a origem do contágio".

O hantavírus é endêmico em algumas regiões da Argentina, especialmente ao longo da Cordilheira dos Andes, onde vêm sendo registrados cerca de 60 casos anuais nos últimos anos.