Nova etapa de ataques dos EUA ao Irã deve usar quase todo o estoque de mísseis de cruzeiros disponível no país
A guerra contra o Irã e seus próximos passos devem comprometer quase todo o estoque de mísseis de cruzeiro do país, em mais uma lacuna do arsenal da maior potência militar do planeta. Segundo a agência Bloomberg, centenas de mísseis do tipo JASSM-ER, capazes de atingir alvos a mais de mil quilômetros de distância, foram retirados de outras bases ao redor do mundo e levados ao Oriente Médio, onde foram usados à exaustão.
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Citando uma fonte militar próxima ao Pentágono, a Bloomberg afirma que o reposicionamento foi ordenado no final do mês passado, coincidindo com o primeiro ultimato do presidente Donald Trump para que Teerã reabra o Estreito de Ormuz. Os armamentos foram enviados a bases do Comando Central dos EUA, responsável por ações no Oriente Médio, e à base de Fairford, no Reino Unido.
Segundo a fonte, mais de mil mísseis do tipo JASSM-ER foram empregados desde o começo da guerra — depois das movimentações, restam apenas 425 unidades para cenários que não envolvam o Irã. No começo do ano, 47 mísseis foram lançados durante a invasão à Venezuela, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.
Fabricados pela Lockheed Martin, os mísseis de cruzeiro da família JASSM são capazes de evitar sistemas de defesa aérea e atingir alvos a mais de mil quilômetros de distância, em sua versão de alcance expandido, e são lançados a partir de bombardeiros, como o B-52 ou o B-1, além de caças de combate. Cada um custa US$ 1,5 milhão.
O Pentágono não se pronunciou.
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Desde o dia 28 de fevereiro, os EUA afirmam ter atingido mais de 12 mil alvos dentro do Irã, empregando uma quantidade poucas vezes vistas de seus armamentos mais avançados, e em um ritmo bem mais rápido do que sua indústria é capaz de repor. No fim de março, o jornal Washington Post revelou que foram lançados mais de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk, e um militar citado pela reportagem disse que os estoques disponíveis no Oriente Médio estavam “perigosamente baixos”.
O elevado uso de sistemas de defesa contra os mísseis e drones iranianos — lançados em uma quantidade e frequência que surpreendeu comandantes nos EUA — reduziu os arsenais de mísseis de interceptação, como os usados no sistema Patriot. Nas últimas semanas, armamentos defensivos, como os usados no sistema THAAD, foram realocados de outras regiões, especialmente da Ásia, em direção ao Oriente Médio. Caso Trump decida intensificar sua guerra contra Teerã, com ataques mais intensos e uma potencial invasão terrestre, seus arsenais serão colocados à prova mais uma vez.
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Mais do que ter meios de lutar uma guerra cujas metas são incertas e cujo apoio popular é cada vez menor nos EUA, especialistas apontam que o uso elevado de armas no Oriente Médio pode deixar o país mais vulnerável no futuro. Em sua proposta para o Orçamento 2027, a Casa Branca defendeu a ampliação da capacidade de produção de armamentos a curto prazo.
— Temos o suficiente de tudo, incluindo mísseis Tomahawk, Patriot e THAAD, para lutar o conflito atual, ou seja, a “[Operação] Fúria Épíca” — disse ao jornal Military Times Mark Cancian consultor sênior Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). — O problema é o efeito em outros teatros de operações, como a Ucrânia e o Pacífico Ocidental, um conflito contra a China. E os estrategistas estão muito preocupados com o fato de que a redução dos estoques enfraquecerá nossa capacidade de dissuasão ou de combater um conflito nessas regiões.
(Com Bloomberg)
