Nos últimos dois meses deste ano de 2026, o mundo sofreu fortes abalos: terremotos de magnitude superior a 7 ocorreram na Venezuela, México, Colômbia e Indonésia, e no dia 20 de agosto um movimento de 6,7 foi registrado no Peru.
A isso se somam dois fortes tremores de 5,0 e 4,5 sentidos na madrugada deste dia 24 de agosto na Costa Rica.
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Mesmo que você esteja a salvo e a milhares de quilômetros do epicentro, como é o caso do Brasil, ver repetidamente imagens de prédios afetados, pessoas evacuando ou cenas de angústia pode ativar a resposta de alarme do cérebro.
Esse é um dos efeitos que a ansiedade por terremotos pode causar.
A incerteza sobre quando e onde ocorrerá um sismo pode fazer com que o cérebro perceba uma ameaça, ainda que, naquele momento, você esteja completamente seguro.
A ansiedade pode provocar palpitações, tensão muscular, falta de ar e até mesmo fazer você sentir que está tremendo, e buscar notícias repetidamente para se sentir tranquilo pode acabar alimentando a ansiedade.
Preparar-se para uma emergência ajuda a enfrentar a incerteza, mas viver com medo esperando que ocorra um terremoto não é prevenção.
Por que um terremoto ocorrido em outro lugar pode gerar ansiedade?
Tatiana Rodríguez, psicóloga da clínica Renace, parte da rede médica MediSmart, explica que o medo é uma emoção natural que tem uma função: advertir-nos de um perigo e preparar-nos para responder.
O problema aparece quando essa resposta se torna excessiva ou surge diante de uma ameaça que não está presente.
— A ansiedade não precisa necessariamente que exista um perigo presente para aparecer.
Basta que nosso cérebro perceba a possibilidade de ameaça para já começar a gerar mal-estar ou sofrimento realmente significativo — explica Rodríguez.
Nos terremotos, além disso, a incerteza pode aumentar essa resposta.
Não sabemos quando nem onde ocorrerá um movimento sísmico, por isso o cérebro pode permanecer atento a essa possibilidade.
A isso se soma a exposição constante a imagens e vídeos sobre o ocorrido.
Prédios colapsados, pessoas evacuando, famílias buscando seus entes queridos e cenas de desespero circulam durante horas nas redes sociais — muitas dessas imagens são, inclusive, geradas por inteligência artificial, o que torna difícil discernir eventos reais e criações feitas para engajamento.
Rodríguez explica que observar essas imagens ativa os sistemas de alarme do cérebro.
Isso pode provocar:
Palpitações
Sudorese
Pressão no peito
Tensão muscular
Respiração rápida ou sensação de falta de ar
Mesmo que você saiba que o terremoto ocorreu em outro país, o cérebro pode interpretar essas sensações como um sinal de que algo está acontecendo ao redor, como se houvesse um movimento sísmico.
— As sensações que sentimos e experimentamos de ansiedade são reais.
O que de repente não é real é a interpretação que estamos fazendo dessas sensações — acrescentou a psicóloga.
Quando se informar deixa de ajudar?
Informar-se sobre um terremoto não é o problema.
A diferença está em por que você busca a informação e que efeito ela tem em você.
— Para mim, informar-se é ir especificamente a fontes confiáveis para compreender o que ocorreu e saber o que está acontecendo em termos gerais — explica a psicóloga.
A situação muda quando uma pessoa começa a revisar notícias constantemente para obter a certeza de que não ocorrerá um terremoto:
Revisar as redes sociais repetidamente
Buscar sinais de que poderia ocorrer outro terremoto
Sentir alívio e, pouco depois, voltar a se preocupar
— O problema é que essa certeza não vai existir — adverte Rodríguez.
Esse ciclo de ansiedade, verificação e alívio temporário pode acabar mantendo a preocupação em vez de reduzi-la.
Por isso, ela recomenda limitar a quantidade de informação, o tempo de exposição e verificar a qualidade das fontes.
O que fazer quando uma notícia dispara o seu medo? Siga estes passos
Diante de uma notícia sobre um terremoto que lhe gere ansiedade, Rodríguez recomenda reconhecer o que sente e o que a ativou.
Depois, recomenda voltar ao presente e fazer uma pergunta a si mesmo: Estou realmente em perigo neste momento ou minha mente está reagindo diante de uma possibilidade?
A partir daí, há duas técnicas para diminuir a resposta física de alarme:
Respire mais devagar.
Rodríguez propõe inalar em quatro segundos e exalar entre seis e oito.
A respiração deve ser diafragmática: ao inalar, o abdômen se expande mais que o peito.
Leve sua atenção aos sentidos.
A técnica 5-4-3-2-1 consiste em concentrar-se, um por um, em elementos que você tem ao seu redor: 5 coisas que pode ver, observando-as com detalhes.
4 coisas que pode tocar, concentrando-se na textura e na temperatura.
3 sons que pode ouvir.
2 coisas que pode cheirar.
1 coisa que pode saborear.
Ambas as práticas buscam que a atenção deixe de focar no que poderia ocorrer e volte para o que está acontecendo naquele momento.
Preparar-se sim, preocupar-se todos os dias não
Uma preparação adequada inclui:
Elaborar um plano familiar ou laboral de emergência
Identificar zonas seguras
Conhecer as rotas de evacuação
Participar de simulados
Contar com um kit de emergência
Uma vez que você tem um plano e recursos básicos, deve conseguir continuar com sua vida, especialmente se não vive em uma região onde são registrados terremotos.
Revisar constantemente o kit, mudar as rotas ou pensar de maneira permanente sobre quando ocorrerá um terremoto pode indicar que a preparação está se transformando em uma forma de responder à ansiedade.
Quando é momento de buscar ajuda?
O sinal de alerta aparece quando o medo começa a tomar decisões por você, tais como:
Evitar lugares ou mudar onde dorme ou se senta por medo de um terremoto
Modificar atividades cotidianas por medo de um sismo
Sentir que a preocupação interfere no seu dia a dia
— Preparar-nos é importante.
No entanto, viver esperando que ocorra um terremoto não é a forma de nos prepararmos, porque não podemos controlar quando ocorrerá.
O importante é que sim, podemos controlar como nos informamos, como nos preparamos e como vamos responder emocionalmente a isso — concluiu Rodríguez.
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