‘Nós não fazemos ciência no Brasil, fazemos milagre’, diz pesquisadora que está na lista da Time

 

Fonte:


Dois pesquisadores brasileiros foram incluídos na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo. Divulgada na quarta-feira (15), Luciano Moreira, da Fiocruz, aparece entre os “Inovadores” por liderar o desenvolvimento de uma técnica com mosquitos que reduz a transmissão de doenças como a dengue. Já Mariangela Hungria, da Embrapa, está na lista de “Pioneiros” pelo trabalho com soluções com microrganismos do solo, que diminui a dependência de fertilizantes químicos.

Lula diz que Trump 'não tem o direito de ameaçar o mundo' e defende mudanças urgentes na ONU

EUA ampliam bloqueio em Ormuz para cargas consideradas contrabando, anuncia Marinha

Nesta quinta-feira (16), ambos falaram ao Jornal da CBN sobre o reconhecimento. Para Mariangela, é graças à vontade e à criatividade dos pesquisadores que a ciência no Brasil tem ocupado espaço de destaque, dado a falta de investimento financeiro no setor.

“Nós não fazemos ciência no Brasil, fazemos milagre. Porque o que fazemos com a inconstância de financiamento é realmente um milagre. Não fui só eu que fui nomeada, mas minha instituição e todas as pessoas que trabalham comigo. O agricultor que acreditou e todo o conjunto de pessoas resilientes que tem vontade de seguir em frente”, afirmou.

A pesquisadora ainda conta que o trabalho para substituir fertilizantes químicos por alternativas sustentáveis tem sido desenvolvido há quatro décadas. A resistência, segundo ela,

“Comecei em uma época em que ninguém acreditava nos (produtos) biológicos, mas eu acreditava que seriam uma saída viável para a agricultura sustentável no Brasil. A agricultura corresponde a quase um quarto do nosso PIB, mas importamos 85% dos fertilizantes químicos que usamos. Então, os biológicos são uma alternativa que faz bem para a saúde do solo, geram alimentos com menos resíduos e até para a economia do país. Na última safra, os microrganismos selecionados para a cultura da soja deram uma economia de US$ 25 bilhões para o país. Na ciência, em 40 anos, recebemos entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões para a pesquisa…”, contou.

Décadas de dedicação

Luciano detalha que seu trabalho de modificação de mosquitos também é com bactérias, o que ocasiona em um método natural e autossustentável.

“É uma bactéria comum na natureza, que está em 60% dos insetos. Quando presente no aedes aegypti, ela bloqueia a capacidade de transmissão de arboviroses (doenças) como dengue, zika e chikungunya. Fazemos a liberação (dos mosquitos) em campo com consentimento da população e os mosquitos substituem a população que não tinha a bactéria”, explicou.

Apesar de trabalhar com essa pesquisa há 17 anos, Luciano conta que seu trabalho com mosquitos é feito há cerca de 30 anos. Para a longevidade de um estudo, ele acredita que o que o que mantém o processo é a perseverança.

“É preciso acreditar no objetivo e seguir fundo, com todos os obstáculos que temos em relação a investimentos ou aos problemas no dia a dia de um pesquisador. Nos nossos casos, estamos fazendo por benefício à sociedade. Quando vemos que está funcionando, é a melhor coisa. Então, até esquecemos das décadas de dedicação”, completou.