Nordeste é região com maior número de eleitores até 17 anos; veja perfil dos novos votantes

 

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O Nordeste é a região com mais jovens aptos a votar nessa eleição. Um levantamento da CBN com base nos dados do TSE mostra que 40% dos brasileiros que terão 16 até outubro ou já têm 17 anos e tiraram o título estão nessa região do país. Ou seja, 676 mil jovens num universo de 1 milhão 700 mil eleitores.

Um deles é o Matheus Felipe da Silva, de 17 anos. Ele é morador de Caruaru, no interior de Pernambuco, e conta que decidiu tirar o título ao perceber uma mobilização maior entre os amigos pra votar este ano.

“Os meus colegas tiraram o título. Alguns tiraram no ano passado, quando completaram 16 anos, e outros tiraram este ano. As eleições são bem importantes porque definem o futuro do nosso Brasil, do nosso país. Eu entendo que a democracia é o que faz você poder decidir não só o seu próprio futuro, mas o futuro do coletivo, do meio social em que você convive”, disse.

Os dados finais do eleitorado ainda serão divulgados, mas a prévia já aponta uma tendência: enquanto o engajamento dos adolescentes cresceu no Nordeste, Sul e Sudeste registraram queda na participação dos eleitores com menos de 18 anos.

Mesmo em regiões onde o número proporcionalmente diminuiu, alguns jovens decidiram participar da eleição pela primeira vez. É o caso da Ana Pacheco, de 16 anos, moradora de Belo Horizonte. Ela conta que partiu dela o interesse em tirar o título, por enxergar na política uma forma de garantir e conquistar direitos.

“Eu conversei com a minha mãe e falei: ‘Mãe, eu tô querendo muito tirar o título de eleitor’, porque eu já sabia que este ano teria eleições. O pessoal da minha idade, meus amigos de escola, não gostam muito de conversar sobre política, porque temos opiniões muito opostas, muito diferentes. Eu estudo tendo consciência de quanto é difícil para os meus pais me manterem na escola. Acredito que a política seja o nosso principal meio de conseguir os nossos direitos. Procure estudar, procure um candidato. Não precisa ser o mesmo candidato do seu colega, da sua mãe ou do seu pai, mas procure estudar, procure entender a realidade em que você vive", diz.

O levantamento da CBN mostra ainda que as meninas continuam sendo maioria entre os adolescentes aptos a votar, mas a diferença em relação aos meninos diminuiu nos últimos quatro anos.

Entre os adolescentes de 15 anos, por exemplo, as meninas representavam 57% do total em 2022, contra 43% dos meninos. Neste ano, os rapazes já correspondem a quase 48% desse grupo.

O mesmo movimento aparece entre os eleitores de 16 e 17 anos. Aos 16, a diferença entre meninas e meninos caiu de 12 pontos percentuais em 2022 para 6 pontos neste ano. Já aos 17 anos, a distância passou de 8 para apenas 2 pontos.

O Gabriel Alves de Almeida, de 17 anos, mora em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Apesar de ainda não ter experiência em eleições, ele diz que já entende o valor do voto.

“Pra mim, a democracia é algo necessário, é o melhor modelo de governo que a gente pode ter. É uma grande responsabilidade, mas eu sempre almejei poder escolher nossos representantes, as pessoas que vão governar por nós. Eu prezo muito por votar em alguém que defenda meus ideais. Primeiro, eu vejo o lado político, as bandeiras que eles representam, se são bandeiras de respeito, igualdade e democracia, e também as propostas”, conta.

Em eleições cada vez mais apertadas, o voto dos adolescentes passou a ter um peso maior na disputa presidencial. Em 2022, a diferença entre Lula e Bolsonaro no segundo turno foi de 1,8 ponto percentual dos votos válidos. Hoje, os eleitores com menos de 18 anos representam cerca de 1,1% dos aproximadamente 158 milhões de brasileiros aptos a votar.

Para o cientista político Paulo Baía, as campanhas devem continuar investindo na mobilização dos jovens não apenas pelo número de eleitores, mas também pela capacidade de engajamento dessa faixa etária.

"Existe esse viés de priorizar a juventude. Isso tem um certo histórico, da medida em que o país foi, durante muito tempo, um perfil basicamente juvenil. Esse perfil mudou. A faixa entre 60 a 69 e de 70+ compõe 25% do eleitorado. A faixa acima dos 25 anos é o conjunto majoritário dos eleitores. Mas é interessante a estratégia das campanhas, porque os jovens têm capacidade de mobilidade, de ação, e isso é muito importante numa eleição que é tão disputada, que está tão acirrada."

O prazo para tirar o título e, assim, conseguir votar nas eleições deste ano terminou no último dia 6. Mas os dados consolidados do eleitorado jovem devem ser divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral em julho. O primeiro turno das eleições está marcado pra 4 de outubro.