Nomeação de nova chefe da PM de SP deverá resultar em saída de coronéis mais velhos

 

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A escolha da coronel Glauce Anselmo Cavalli para o Comando Geral da Polícia Militar de SP, anunciada na quinta-feira (16), deve ocasionar em pedidos de aposentadoria de pelo menos seis dos 64 coronéis da ativa. Desses, O GLOBO confirmou a saída de três. O motivo para as baixas não está ligado a questões políticas ou ideológicas, mas hierárquicas. Como possuem mais tempo de "casa" que Cavalli, formada na turma de 1997, os oficiais entendem que não faz sentido ser subordinado a alguém com menos anos de formação.

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Um dos que pedirão para ir à reserva é o coronel Emerson Massera, que atuou por muitos anos na assessoria de imprensa da corporação, desde a patente de tenente.

– Isso faz parte da vida militar e saio até para que eu deixe o novo comando muito à vontade também, né? Porque saber que tem um cara antigo, ainda na ativa, em outro lugar, talvez cause algum tipo de constrangimento (...) Na minha carreira inteira, nos meus 36 anos de polícia, eu sempre falei que, se um dia assumir o comando da PM um oficial de turma mais moderna do que a minha, eu iria para a reserva, eu sempre falei isso. Então eu vou ser coerente com o meu discurso – afirma Massera, que se diz amigo da nova chefe da PM.

– Não trabalhamos diretamente, mas para você ter uma ideia da minha admiração por ela, quando eu saí da comunicação da PM eu a indiquei para ficar no meu lugar. Ela ficou lá até precisarem dela na diretoria de logística, que é uma área muito técnica e para a qual a Glauce também é habilitada. Minha confiança nela é tão grande que foi a pessoa que eu escolhi pra ficar no meu lugar – afirma o coronel Massera.

Além de Massera, outros dois militares da mesma patente também confirmaram ao GLOBO que irão sair "por questões hierárquicas". Além desses, pelo menos outros três deverão ir para a reserva, mas ainda não houve as confirmações.

Um dos coronéis ouvidos pela reportagem argumentou que não se trata de uma questão apenas de tempo de carreira, mas de hierarquia. Segundo ele, ser comandado por alguém mais “moderno” na corporação vai contra a “postura e princípios” militares propagados durante da formação da PM. O coronel ressaltou que não tem nenhuma restrição em relação ao nome escolhido. Pelo contrário. Disse, inclusive, admirar o trabalho e competência da nova comandante-geral.

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública não respondeu até a publicação desta reportagem.

Primeira mulher em quase 200 anos

Nomeada comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo nesta quinta-feira (16), a coronel Glauce Anselmo Cavalli, de 50 anos, é vista entre colegas e subordinados como uma oficial estudiosa, especialista em finanças e logística, além de lidar bem com subalternos e superiores. Trata-se da primeira mulher a assumir o controle da corporação quase 200 anos depois da sua criação, em 1831. Ela entra no lugar do também coronel José Augusto Coutinho, que estava à frente da PM desde maio do ano passado.

Formada em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e em Educação Física pela Escola de Educação Física da PM, a oficial é mestre e doutora em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Ela entrou na polícia em 1997, após se formar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

A nova chefe da PM estava até então na diretoria de logística da polícia. Antes disso, atuou no Comando do Policiamento de Área Metropolitana 2 (CPA/M-2), responsável por três batalhões na Zona Sul. Cavalli também chefiou a Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral e o Centro de Comunicação Social da PM, entre outras funções.