Nobel de Literatura 2026: confira as principais obras de Anne Carson publicadas no Brasil

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A canadense Anne Carson foi anunciada vencedora do Prêmio Nobel de Literatura 2026 na manhã desta quinta-feira (8) pela Academia Sueca, em Estocolmo. Ingrid Carlberg, secretária permanente da instituição, justificou a láurea à escritora “por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.

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Carson tem 76 anos e é conhecida por implodir as fronteiras entre os gêneros literários — ela transita com invejável liberdade pela narrativa, pela poesia e pelo ensaio — e por seu diálogo apaixonado com os clássicos gregos. O diálogo franco com a tradição literária é um dos procedimentos mais característicos de sua obra.

A canadense tem um público cativo no Brasil e é publicada por quatro editoras diferentes. Ao comentar o sucesso da canadense por aqui, a escritora e tradutora Adriana Lisboa disse ao GLOBO, em abril, que, “a despeito de toda a sua erudição”, não faltam na obra da classicista sentimentos “facilmente acessíveis”, como “a euforia do amor” e a “dor da perda”.

Confira abaixo os principais títulos da nova Nobel de Literatura publicados no Brasil: “Autobiografia do vermelho”

Tradução: Ismar Tirelli Neto. Editora: 34.

Páginas: 192. Preço: R$ 73.

Obra mais cultuada de Carson, o romance em versos reinventa a história de Gerião, monstro mitológico cujo gado foi roubado por Hércules num de seus 12 trabalhos. Carson imagina Gerião como um rapaz vermelho, alado e gay do século XX, vivendo na América do Norte e sofrendo por amar o filho de Zeus.

A obra ganhou duas adaptações teatrais no Brasil: a de Bruno Siniscalchi, em 2024, e a de Daniela Thomas no início deste ano. “Eros, o doce-amargo”

Tradução: Julia Raiz. Editora: Bazar do Tempo.

Páginas: 264. Preço: R$ 98.

Publicado originalmente em 1986 e resultado de sua tese de doutorado, “Eros, o doce-amargo” recorre à filosofia, à teoria literária e à poesia para investigar a natureza contraditória do desejo amoroso. O título é emprestado de Safo, poeta da Grécia Antiga.

“Safo foi a primeira a chamar Eros de ‘doce-amargo’. Ninguém que já se apaixonou discorda.

O que significa essa palavra?”, pergunta Carson, que aproxima a pulsão erótica não só do desejo sexual, mas também da linguagem e do conhecimento. “Parece haver alguma semelhança entre o modo como Eros age na mente de quem ama e o modo como o conhecimento age na mente de quem pensa”, arrisca a canadense.

“Vidro, ironia e deus” Tradução: Adriana Lisboa.

Editora: Relicário. Páginas: 208.

Preço: R$ 79,90. “O ensaio de vidro”, poema que abre o livro é narrado por uma mulher que se instala na casa da mãe, no interior, enquanto tenta se recuperar do término de um relacionamento.

Encontra conforto ao se debruçar sobre a vida e a obra de Emily Brontë (1818-1848), autora de “O morro dos ventos uivantes”. “Sinto que estou me transformando em Emily Brontë”, diz ela.

Vidro, ironia, deus” também é uma jornada espiritual. “Minha religião não faz sentido/ e não me ajuda/ por isso eu a pratico”, diz um dos poemas do livro, que ecoa o Antigo Testamento ao descrever o quão terrível pode ser um encontro com o divino.

“O método Albertine” Tradução: Vilma Arêas e Fernando Guimarães.

Editora: Jabuticaba. Páginas: 45.

Preço: R$ 30. Primeira obra de Carson publicada no Brasil, em 2017, “O método Albertine” investiga o desejo a partir de “Em busca do tempo perdido”, o romance monumental de Marcel Proust.

Em 59 fragmentos e uma série de apêndices, o livro combina examina as contradições de Albertine (interesse amoroso de Marcel, o narrador proustiano), como sua relação com a sexualidade e sua condição de objeto do olhar masculino, e sugere que a personagem encarna algo que escapa continuamente às tentativas de classificação e controle do narrador.

“Antigonick” Tradução: Julia Raiz.

Editora: Bazar do Tempo. Páginas: 57.

Preço: R$ 60. Nesta tradução da tragédia de Sófocles, Carson combina suas vocações de classicista e de narradora: sem abrir mão da força do original, ela reinventa os ritmos, as imagens e as vozes do texto, aproximando-o da sensibilidade contemporânea.

A canadense também explicita o dilema de Antígona: o confronto entre a lei do Estado (Creonte é retratado como um tirano brutal) e a consciência individual, o luto e a responsabilidade de honrar a memória dos mortos. Esta nova versão de um dos maiores clássicos da literatura também inclui um novo personagem na história, Nick, já anunciado no título, figura silenciosa que nunca se afasta da ação.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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