No Peru, candidato de esquerda se aproxima do segundo turno no pleito presidencial; ministros renunciam por impasse sobre caças americanos

 

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Com 94% dos votos apurados nas eleições presidenciais do Peru, segundo dados da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), o esquerdista radical Roberto Sánchez se consolidou nesta quinta-feira no segundo lugar com vantagem superior a 20 mil votos sobre Rafael López Aliaga — e se aproxima de uma vaga no segundo turno, previsto para 7 de junho, a depender da resolução das contestações ainda pendentes nos Tribunais Eleitorais Especiais. Enquanto isso, o ministro da Defesa e o ministro das Relações Exteriores do Peru renunciaram a seus cargos em meio a especulações sobre o status de uma compra multibilionária de aeronaves F-16 dos Estados Unidos, acordo que o presidente interino José Balcázar, que deixa o cargo em julho, não se opôs.

A contagem dos votos das cédulas regulares foi concluída, mas os boletins contestados ainda precisam ser revisados. Os resultados parciais da votação de 12 de abril mostram a candidata de direita Keiko Fujimori como favorita para o segundo turno.

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No entanto, a ONPE ainda precisa enviar 5.171 folhas de apuração aos Júris Eleitorais Especiais. Até a última terça-feira, segundo a imprensa peruana, 5.573 folhas de apuração estavam pendentes de processamento por erros aritméticos, assinaturas ausentes, dados, entre outros problemas. O próximo passo no processo é o órgão eleitoral aguardar que os júris eleitorais devolvam as atas de apuração resolvidas que foram contestadas, a fim de incluí-las na contagem geral da eleição presidencial.

Anteriormente, em relação ao atraso no processamento de todas as atas de apuração eleitoral, o chefe interino do ONPE, Bernardo Pachas, garantiu que esperavam finalizar os resultados da eleição presidencial até esta sexta-feira.

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— As atas de apuração processadas são diferentes das atas de apuração contadas. Primeiro, vem o trabalho dos Júris Eleitorais Especiais e, se houver contestações, o da Junta Nacional de Eleições. Gostaríamos que fosse o mais rápido possível, porque precisamos fazer aquisições e prestar serviços, e queremos alcançar todo o país — disse.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral, a ONPE ainda não enviou cerca de 30 mil folhas de apuração adicionais, além daquelas já enviadas nos últimos dias. "Para concluir este processo, é essencial que todas as folhas de apuração sinalizadas sejam entregues para que se possa chegar a uma resolução de acordo com a lei", afirmou o órgão eleitoral.

— A falta de apresentação deste material está causando atrasos no desenvolvimento do processo eleitoral e põe em risco o cumprimento do cronograma para as Eleições Gerais de 2026, bem como o exercício adequado de nossa função — acrescentou Pachas.

Ministros renunciam

O ministro da Defesa peruano, Carlos Díaz, e o chanceler, Hugo de Zela, apresentaram suas renúncias na quarta-feira, citando sua discordância com a forma como o presidente interino conduziu as negociações do acordo para aquisição de aeronaves americanas F-16. Apesar de não se opor ao acordo, Balcázar adiou qualquer pagamento até que a próxima administração assuma, após a eleição presidencial.

“Foi tomada uma decisão estratégica na área de segurança nacional com a qual tenho uma discordância fundamental”, afirmou Díaz em sua carta de renúncia.

Balcázar, em pronunciamento televisionado, disse que suas declarações anteriores sugerindo que a compra havia sido adiada foram mal interpretadas, indicando que o acordo avançou, enquanto o compromisso financeiro ficará a cargo do próximo governo.

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O Peru passou anos negociando com diferentes empresas para modernizar sua envelhecida frota de caças Mirage 2000 e MiG-29, adquiridos nas décadas de 1980 e 1990. O país pretende adquirir ao todo 24 aeronaves, mas um primeiro acordo seria para 12 unidades.

O Departamento de Estado dos EUA aprovou, em setembro do ano passado, a possível venda de aeronaves F-16 e suporte relacionado ao Peru, com a Lockheed como principal contratada, ao lado da General Electric Aerospace e da RTX Corp, em um acordo avaliado em cerca de US$ 3,42 bilhões (quase R$ 17 bilhões, na cotação atual), segundo o Pentágono. Elas competem com empresas da Suécia e da França para vender caças ao Peru, de acordo com o governo.

— Continuamos firmes em respeitar todos os acordos que possam ter sido alcançados no âmbito das Forças Armadas, ou neste caso com o ministério relevante da Força Aérea, para realizar as negociações correspondentes — afirmou Balcázar.