No mundo inteiro, democratas fazem o ‘L’ para resistir à extrema direita

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Fonte da notícia: Carta Capital Carta Capital

O Brasil tem ensinado ao mundo que a onda fascista não é inevitável. Já a derrotamos duas vezes — e sabemos como derrotá-la novamente

Passados poucos dias da maior vitória de um país soberano sobre a extrema direita global neste século, ainda é difícil para nós, brasileiras e brasileiros, dimensionar o tamanho do nosso feito. Quem vê de fora talvez saiba definir melhor do que nós o que aconteceu nas últimas semanas.

E o que nos dizem é nítido e claro: o Brasil é, hoje, a maior democracia do mundo. Da derrota no primeiro turno até a apoteótica vitória de Lula no inesquecível domingo 25, nós realizamos algo histórico.

Nenhuma pesquisa captou o desejo avassalador do povo, que ocupou as ruas e as redes aos milhões para defender as conquistas da sociedade brasileira. Mulheres, jovens, idosos, todos unidos contra a força destrutiva unificada do mercado financeiro, do crime organizado e do neofascismo midiático.

Nossa força coletiva derrotou os algoritmos de ódio de Mark Zuckerberg, dono da Meta, a onipresença enviesada da grande mídia, a parcialidade da Justiça Eleitoral, a agressividade e mentiras da extrema direita, a interferência nada discreta de Donald Trump. Vencemos e viramos exemplo de resistência e solidariedade política para todo o planeta.

O mundo inteiro está fazendo o “L”. No México, a presidenta Claudia Sheinbaum repetiu o gesto e celebrou a vitória brasileira como um “sopro de ar fresco” para a América Latina e Caribe.

Na França, a juventude tem até um novo slogan em sua ferrenha luta por um futuro melhor, livre do neoliberalismo decadente europeu: “Lula hoje, Mélenchon amanhã”, gritam, em apoio ao líder da França Insubmissa, que em 2027 enfrentará nas urnas a extremista e – por enquanto – favorita Marine Le Pen.

Num ato em Barcelona, a ex-prefeita Ada Colau conclamou a todos a erguerem os braços e fazerem o L “por Lula no Brasil, pela Palestina Livre, pela esperança e pela Frente Ampla espanhola”. O primeiro-ministro Pedro Sánchez disse estar de olho nas estratégias de guerrilha digital disseminadas pelo “Exército do Lula”, que arregimentou quase 11 milhões de “soldados” para combater e neutralizar as fake news bolsonaristas, e fazer o mesmo nas eleições gerais espanholas de novembro.

A tática, que na França já foi batizada de “janonisme”, também tem se espalhado pelo mundo. O canal “L’équipe de Mélenchon officielle” já reúne mais de 46 mil pessoas.

Na Argentina, um “Exército Peronista” foi criado para combater Javier Milei até as eleições de 2027. Até mesmo nos EUA opositores de Trump começaram a adotar o exemplo brasileiro de ocupação digital.

O que o Brasil tem ensinado aos outros países é que a onda fascista não é inevitável. Já a derrotamos duas vezes! Ou, como se tem repetido por aí, mostramos “como as democracias resistem”.

Mas resistir não basta: é preciso escorraçar o fascismo. E este trabalho é permanente.

Por isso, não podemos desmobilizar o que conquistamos a partir da fagulha riscada pelos estudantes de Direito da Universidade Federal Fluminense no dia 5 de outubro, em Niterói. Foi a partir daquela manifestação em defesa da educação pública que tudo mudou no Brasil. Temos que celebrar este que talvez seja o maior movimento cívico desde as Diretas Já – e, ao mesmo tempo, mantê-lo vivo e atuante.

Ganhamos a batalha, mas ainda há muito o que fazer. Teremos o Congresso com o maior número de representantes da extrema direita que já houve.

Flávio Bolsonaro, covarde, já fugiu do Brasil. Mas o bolsonarismo não está derrotado e fará de tudo para frear novos avanços.

E estes serão necessários. Precisamos avançar na regulação das redes e da inteligência artificial, na proteção aos indígenas e quilombolas, na inovação e no desenvolvimento de tecnologia própria.

Precisamos investir em inteligência na segurança pública e acabar de vez com as organizações criminosas que dilapidam nossas riquezas. Precisamos de escola integral e um SUS cada vez mais fortalecido.

Precisamos desenvolver nossas indústrias, nossa Cultura e, acima de tudo, reafirmar nossa soberania. É o momento de construir um projeto nacional de desenvolvimento, que nos possibilite dar um salto estratégico e vislumbrarmos um futuro de igualdade, democracia e bem comum.

E para nós, do PCdoB, um futuro socialista! Tomamos de volta as ruas e as cores do Brasil, ocupamos as redes.

As ameaças existem e seguiremos combatendo-as. Como ordenaram os estudantes nas ruas: recua, fascista, recua! Viva Lula! Viva o povo brasileiro!

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital. Jandira Feghali É deputada federal (PCdoB-RJ), vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados e vice-presidente nacional do PCdoB

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo. A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou.

No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

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