No mundo, alunos pobres têm aprendizado equivalente a três anos e meio de ensino a menos do que os ricos, aponta Pisa

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

As notas do Pisa mostram relação direta entre condição socioeconômica e desempenho escolar em todo o mundo. Na média dos países e economias avaliados, os estudantes mais favorecidos têm 74 pontos a mais em Ciências do que os mais pobres — uma diferença equivalente a cerca de três anos e meio de escolaridade. O mesmo padrão aparece em Leitura, com uma distância de 67 pontos, e em Matemática, de 71. Por isso, o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre os resultados do Pisa de 2025 classifica o nível socioeconômico como “um dos preditores mais poderosos e consistentes” do desempenho acadêmico no mundo. Qual a posição do Brasil no Pisa? Veja a nota de cada país em Matemática, Leitura e Ciências Pisa: 48% dos estudantes brasileiros usam IA para trabalhos escolares O Pisa divide os alunos em quatro grupos socioeconômicos. No Brasil, a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é de 96 pontos, em Ciências. Os estudantes com mais desvantagens tiraram 373 e os mais privilegiados, 469. “Entre 2015 e 2025, a diferença no desempenho em Ciências entre os 25% dos estudantes no topo e os 25% dos estudantes na base, em termos de status socioeconômico, aumentou no Brasil, enquanto a diferença média entre os países da OCDE diminuiu. Durante esse período, o desempenho melhorou entre os alunos favorecidos, mas permaneceu estável entre os desfavorecidos”, aponta o relatório da OCDE sobre o país. Embora tenha melhorado, esse patamar da elite brasileira foi similar ao desempenho dos jovens mais pobres de países como Turquia (464), Austrália (469) e Finlândia (470) e ficou bem abaixo da província chinesa de Macau (527), do Japão (504) e de Cingapura (508). Em média, nos países da OCDE em 2025, subir de um dos quatro níveis socioeconômicos para o seguinte representa um acréscimo de 36 pontos na avaliação de Ciências, o que corresponde a quase o dobro do que um aluno de 15 anos aprende ao longo de um ano de escolaridade, diz o relatório. O país que registrou a menor variação entre os mais pobres e mais ricos foi Camboja (20 pontos), mas todos os alunos apresentam desempenho muito baixo: de 360 a 380. Mesmo nas províncias chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang são 84 pontos de diferença entre ricos e pobres. No entanto, os dois grupos de estudantes estão em patamares muito altos, indo de 578 a 662 pontos. No Brasil, foram registradas diferenças significativas entre estados. O Paraná teve as maiores notas nas três áreas: 461 em Ciências; 458 em Leitura e 423,1, em Matemática. Foi seguido por São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal. Já os cinco piores foram Alagoas, Roraima, Amapá, Maranhão e Bahia. Onde o Brasil vai bem O que pensam os alunos: Além de medir a aprendizagem, o Pisa aplica questionários para entender o que pensam os estudantes. Concluiu que no Brasil os alunos aprovam mais seus professores do que em outros países. Professor valorizado: Aqui, 82% relataram que, na maioria das aulas de Ciências, o professor demonstra interesse na aprendizagem de cada aluno (a média da OCDE é 69%), 78% relataram que os docentes seguem ensinando até que eles entendam (média OCDE: 66%) e 76% que o professor oferece ajuda extra quando os alunos precisam (média OCDE: 73%). Crença na educação: A proporção de jovens que avaliam a escola como uma perda de tempo caiu sete pontos percentuais e chegou a 16%. O patamar está abaixo da média da OCDE, de 24%. Bullying continua: A pesquisa revelou que 17% dos brasileiros relataram sofrer bullying em 2025. O patamar é similar ao registrado nos países da OCDE, de 20%. O problema no Brasil ficou estagnado em relação a 2022, mas aumentou na maioria dos países participantes. Celular proibido: A proporção de escolas que proibiam celular em 2025 cresceu 44 pontos percentuais entre 2022 e 2025 no Brasil, passando de 37% a 81%. Na OCDE, foi de 34% para 49%. No ano passado, o governo brasileiro aprovou lei proibindo smartphones na escola.

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