No início da campanha, Caiado busca empresários e investidores e promete ajuste fiscal

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Fonte da notícia: Valor Valor

O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, fez da busca pelo apoio de empresários e agentes do setor financeiro uma das prioridades do início de sua campanha. Nesta segunda-feira (17), Caiado fez uma rodada de encontros com o setor produtivo na capital paulista e prometeu ajuste fiscal “respeitando o ajuste da inflação” e disse que fará a redução das despesas públicas, em uma tentativa de atrair grupos econômicos descontentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), líderes das pesquisas de intenção de voto. Centrão largou candidatura de Flávio e isso o prejudicou, diz Kassab Treze candidatos estão na disputa à Presidência; veja quem são Renan Santos diz que a entrada de Marçal na eleição beneficia Flávio

A uma plateia de empresários reunida pelo Grupo Voto, em São Paulo, Caiado disse que, se eleito, as despesas públicas serão reduzidas. "Em relação ao PIB, as nossas despesas terão um patamar. Elas só terão aceitáveis até o patamar de 40% ou 50% do PIB. Então eu terei ali um corte nas despesas que já fica bem caracterizado", afirmou, sem dar maiores detalhes sobre como seria esse corte de gastos.

“Lula não acredita no ajuste fiscal e estamos vendo o que está acontecendo. Ele está falsificando o arcabouço fiscal, deu aval para gastos. O Brasil está em uma irresponsabilidade fiscal”, disse Caiado, no evento. Em meio a críticas ao atual governo federal, o candidato do PSD acusou Lula de “governar com uma política populista” e de “colocar a culpa nos ricos, em quem tem patrimônio”. Em seguida, disse que o presidente “vai dar um calote na dívida”, se for reeleito.

Caiado colocou em xeque a capacidade de gestão do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e afirmou que o parlamentar “nunca administrou nada, não sabe o que é isso.”

O presidenciável afirmou ainda que seus adversários prometem cortar supersalários e fazer privatizações, mas disse que essas ações não são suficientes para melhorar o cenário econômico. “Não é suficiente para diminuir o percentual de dívida/ PIB”, afirmou no evento. “Estou dando uma referência ao mercado”, disse.

Caiado destacou também propostas para segurança, sobretudo no combate a facções criminosas, e afirmou que criará o Ministério da Segurança, se eleito. Segurança é o principal problema apontado pela população, em pesquisas como a Quaest e Datafolha.

O candidato disse que o atual governo teria sido complacente com facções criminosas e disse que o Brasil caminha para uma “mexicanização”, na convivência com o crime organizado, dentro da máquina pública. “O Brasil não caminha para uma venezuelização. O Brasil caminha para uma mexicanização. Esse é o sistema para o qual o Brasil está avançando. É um sistema em que eles não contestam a regra de um pleito eleitoral. Eles não discutem. Eles não querem sair do processo democrático por eleições livres. Eles não contestam. Eles ganham por meio dele", disse.

O presidenciável propôs uma parceria internacional, com países que fazem fronteira com o Brasil, para que a Polícia Federal brasileira possa ter acesso a informações sobre segurança de outras nações para combater o tráfico de armas, o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro. “São ações que tinham de ser articuladas com os outros países. O Brasil hoje tem o maior hub hoje de distribuição de drogas no mundo e nós não produzimos cocaína”, declarou, a jornalistas. “O que eu vou fazer com outros países é um sistema de integração de informação.”

Caiado afirmou ainda que os Estados Unidos não vão interferir na política local, mesmo depois de o país ter declarado o PCC e o CV como organizações terroristas. “Os americanos não vão resolver o problema porque ele é nosso. Não tenho preocupação nenhuma com os americanos. Quem vai resolver esse problema somos nós, brasileiros.”

Depois da palestra a empresários, Caiado tinha em sua agenda outros dois encontros com o setor produtivo e agentes financeiros nesta segunda-feira: uma palestra em conferência anual do Santander e um jantar promovido pelo Centro de Liderança Pública, na capital paulista.

Lei da Reciprocidade contra os EUA Caiado disse considerar uma estupidez o governo brasileiro adotar a Lei de Reciprocidade Econômica contra as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros. "Não pode o presidente da República colocar em risco a convivência com outro país. Eu vou para o diálogo, não me interessa essa briga. Medidas de reciprocidade, que estupidez é essa?", disse Caiado.

O governo brasileiro deu início à análise para adoção da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos no fim da semana passada. A abertura do processo é uma reação à taxa de 25% sobre exportações brasileiras anunciada pelo governo Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, em 15 de julho. O candidato minimizou a atuação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, do blogueiro Paulo Figueiredo e do senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na corrida pelo Planalto, dizendo que não acredita que eles agiriam para continuar incitando a adoção de tarifas e outras retaliações contra o governo brasileiro em um eventual governo seu. "Se o presidente da República for menor que essas pessoas aí é demais", afirmou. "A gente não pode achar que três ou quatro pessoas nos Estados Unidos vão ser mais importantes que o presidente". Para Caiado, a chancelaria brasileira tem condições de lidar com esse tipo de situação. Caiado também repetiu que pretende convidar o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo para ocupar o Ministérios das Relações Exteriores. Para ele, a liturgia da presidência não pode ser de "bate boca" ou "briga de boteco". As declarações de Caiado foram dadas nesta segunda-feira (17), durante a 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo. Além de Caiado, o evento contou com palestras de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), discutindo a agenda econômica dos candidatos e prioridades para o Brasil.

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