Ao longo do segundo turno, a disputa pela volta ou não do PT ao poder no Distrito Federal foi uma marca registrada das duas campanhas A governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão (PP), tem um caminho pavimentado para ser reeleita diante da disputa contra o petista Leandro Grass.
Ela lidera a disputa pelo governo local com 61% dos votos válidos, contra 39% de Grass, segundo pesquisa Quaest divulgada neste sábado, 24, véspera do segundo turno. A diferença é de 22 pontos percentuais.
Ao longo do segundo turno, a disputa pela volta ou não do PT ao poder no Distrito Federal foi uma marca registrada das duas campanhas. Durante as propagandas eleitorais, Celina intensificou a vinculação entre Leandro Grass e o ex-governador Agnelo Queiroz, que comandou o DF entre 2011 e 2015.
Agnelo foi um dos personagens centrais do escândalo da Lava-Jato no Distrito Federal e apontado como um dos responsáveis por obras faraônicas que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), serviram principalmente para irrigar um propinoduto ao lado da empreiteira Odebrecht, como, por exemplo, o Estádio Mané Garrincha e o Centro Administrativo – o Centrad.
Assim, o petista – que foi eleito deputado federal este ano – virou arma eleitoral da campanha de Celina, que passou a apresentar Grass como uma espécie de continuação do ex-governador. A resposta do candidato foi tentar fazer o caminho inverso: associar Celina ao grupo político que comandou o DF nos últimos anos e, por tabela, ao legado de governos que ela ajudou a integrar.
Durante a campanha, Celina produziu uma peça que associava Grass ao ex-governador e dizia que o petista poderia “trazer Agnelo de volta”. A propaganda apresentava imagens dos dois e utilizava a expressão “PT nunca mais”.
A Justiça Eleitoral chegou a analisar a propaganda. Em setembro, um juiz do TRE-DF negou pedido liminar de Grass para retirar a peça do ar.
O magistrado considerou que, embora a propaganda fosse negativa, críticas a adversários não eram, por si só, proibidas pela legislação eleitoral. Do outro lado, Grass passou toda a campanha questionando a atuação de Celina na crise do Banco Regional de Brasília (BRB).
O negócio ocorreu durante a gestão de Ibaneis, quando Celina era vice-governadora. O Banco Central rejeitou a operação, e o Master acabou liquidado pela autoridade monetária.
O episódio também levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e desencadeou investigações sobre o conglomerado financeiro. O caso passou a ser explorado por Grass como símbolo do que ele chama de falta de controle sobre o governo e sobre o banco estatal.
Celina, por sua vez, afirmou que não participou da operação e procura se apresentar como a governante responsável por resolver o problema deixado pelo antecessor.
O Antogonista