No Caribe, rei Charles III reconhece que tráfico de escravizados foi ‘monstruosa injustiça’

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

O rei Charles III, da Inglaterra, afirmou nesta terça-feira, 3, que o comércio de escravizados no oceano Atlântico foi uma “monstruosa injustiça”. A declaração foi feita durante uma reunião de líderes dos países da Commonwealth, em Antigua e Barbuda, no Caribe.

“Esse vergonhoso capítulo da história enche meu coração de horror e minha alma da mais profunda tristeza pessoal”, disse o monarca de 77 anos durante sua última parada de uma viagem de nove dias pelas ex-colônias britânicas no continente americano. Embora já tenham sido expressas manifestações de pesar pelo papel central do Reino Unido na perpetuação da escravidão, nenhum monarca britânico apresentou até agora desculpas oficiais.

Além disso, Londres sempre se recusou a pagar uma indenização por ter incentivado a continuação do esquema de tráfico humano. Viagem pela América

Antes de Antígua e Barbuda, Charles III visitou as Bahamas, no Caribe, e a Guiana, na costa da América do Sul. Continua após a publicidade

Na semana passada, quando iniciou a sua viagem, o rei já havia reconhecido “o grande sofrimento” causado pela escravidão no período do império. O Palácio de Buckingham informou que, em sua viagem, o monarca não evitaria discutir o “legado colonial” e as consequências do tráfico de escravizados.

Porém, como o governo britânico, ele não faria um pedido oficial de desculpas ou anunciaria medidas de reparação. No primeiro dia, o rei foi recebido pela governadora-geral das Bahamas, Cynthia Pratt, e pelo primeiro-ministro Philip Edward Davis.

Depois, participou de uma cerimônia militar, na qual inspecionou uma guarda de honra e conversou com integrantes da Força de Defesa Real das Bahamas. Continua após a publicidade

Um grupo pequeno de manifestantes aproveitou a oportunidade para protestar nas proximidades do evento, cobrando o monarca que usasse sua influência para mudar a posição do governo britânico sobre as reparações e o reconhecimento de sua responsabilidade histórica por problemas socioeconômicos estruturais nas ex-colônias.

Em 2022, o príncipe William e sua esposa, Catherine, fizeram uma passagem pelo Caribe e também foram surpreendidos por manifestações contra o sistema monárquico e a favor de uma compensação financeira pelo papel da família real britânica na perpetuação da escravidão. Continua após a publicidade

Reunião da Commonwealth Realizada a cada dois anos, a reunião conta com representantes de 56 países integrantes da Commonwealth.

O objetivo é discutir problemas compartilhados entre essas nações e fortalecer a cooperação em diferentes áreas. Como líder da organização, o rei fará o discurso principal do encontro.

O monarca confirmou que o legado da escravidão na região estará entre os assuntos discutidos pelos líderes durante o encontro. Continua após a publicidade

Em declaração à BBC, um porta-voz do palácio de Buckingham explicou que a agenda do rei no Caribe “teria como foco principal destacar as muitas parcerias modernas e oportunidades para o futuro”, especialmente iniciativas que “estão tendo um efeito transformador na região”. A reunião bienal dos chefes de governo da Commonwealth será realizada até quarta-feira, 4.

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Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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