No arquipélago português da Madeira, cientistas têm ações de monitoramento e conservação

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Na tela do computador do cientista colombiano Juan Mayorga, uma magnífica arraia nada com elegância no fundo do mar das Ilhas Desertas, no arquipélago português da Madeira. Risco: Incêndios na Indonésia já queimaram 1,9 milhão de hectares em 2026, aponta monitoramento por satélite Veja vídeos: Avalanche em estação de esqui no Chile deixa quatro mortos e quatro feridos, segundo autoridades — É um bom dia quando vemos animais como este — comenta Juan Mayorga, sorridente. — Isso é a proteção do meio ambiente em ação — acrescenta o engenheiro, que trabalha para o programa "Pristine Seas" ("Mares Prístinos"), da National Geographic Society. — À medida que protegemos um local, ano após ano, os peixes tornam-se cada vez maiores e produzem cada vez mais filhotes — explica o colombiano que, assim como cerca de 200 outros cientistas, participa durante todo o mês de outubro de uma grande expedição voltada para conhecer melhor o arquipélago da Madeira, situado em frente à costa do Marrocos. Na Madeira, as iniciativas de conservação marinha remontam ao início da década de 1970. Juan Mayorga é responsável por coletar e analisar imagens de vídeo gravadas no fundo do mar, a uma profundidade entre 40 e 50 metros, por câmeras instaladas em estruturas metálicas que contêm iscas para atrair os peixes. Linha de frente O que mais lhe interessa é comparar os dados coletados na parte sul das Ilhas Desertas, uma zona de proteção marinha integral, com os obtidos na parte norte, onde ainda é permitido um certo tipo de pesca. O biólogo marinho David Milla Figueras examina espécimes marinhas numa bandeja e discute-os com outros investigadores no convés de um navio ao largo da costa da Madeira durante a expedição científica 'Madeira Ocean' Henrique Casinhas / AFP A primeira parada do Santa Maria Manuela, um veleiro de quatro mastros e 70 metros de comprimento que serve como embarcação principal da expedição, composta por cerca de quinze embarcações, são as Ilhas Desertas, três ilhotas desabitadas situadas a cerca de 40 quilômetros da ilha da Madeira. Na maior delas, um maciço rochoso com pouquíssima vegetação que se estende por quase 12 quilômetros e atinge 480 metros de altitude, Rui Seabra, pesquisador da Universidade do Porto, instala sensores de temperatura nas rochas que ficam expostas durante a maré baixa. Seu objetivo é entender a situação das espécies de crustáceos e esponjas nas áreas ensolaradas e nas sombreadas. — Isso é importante no contexto das mudanças climáticas, pois precisamos saber como a biodiversidade se adaptará (à evolução das temperaturas) — explica. A cerca de 20 metros da costa, a bordo de um bote inflável, uma bióloga marinha coleta amostras de DNA ambiental para detectar espécies de peixes presentes nas águas, mas que escapam ao alcance das câmeras. — Estamos aqui, na linha de frente da luta real, tentando encontrar soluções que nos permitam resolver os problemas no local — resume Emanuel Gonçalves, responsável pela expedição e diretor científico da Fundação Oceano Azul, financiada pelo Oceanário de Lisboa. Enquanto cerca de 200 países se reúnem, a partir desta segunda-feira (19), na Armênia, para debater a proteção da biodiversidade mundial durante a COP17, este biólogo reconhece que as grandes conferências internacionais são "muito importantes" para definir a agenda política. Mas "a urgência de agir não nos permite esperar por decisões que, por vezes, levam décadas para serem tomadas", afirma em declarações à AFP. Além da ilha que dá nome a todo o arquipélago, e onde nasceu Cristiano Ronaldo, a Madeira inclui a ilha de Porto Santo, conhecida por suas praias e hotéis, as Ilhas Desertas e as Ilhas Selvagens, dois grupos de ilhotas situados cerca de 280 quilômetros mais ao sul, em direção ao arquipélago espanhol das Canárias.

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