Niterói teve pelo menos 50 tartarugas mortas em praias em três meses
Do dia 1º de dezembro de 2025 até 19 de fevereiro deste ano, pelo menos 50 tartarugas marinhas foram encontradas mortas em Niterói, segundo levantamento feito pelo Projeto de Monitoramento de Praias (PMP). Os números de mortandade de tartarugas na cidade acende um alerta para a conservação da espécie.
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O caso mais recente foi registrado na última quarta-feira (18), quando três tartarugas foram encontradas mortas na Praia da Boa Viagem. Técnicos da empresa Econservation, responsável pelo PMP na região, resgataram as carcaças e identificaram os animais como sendo da espécie tartarugas-verdes (Chelonia mydas).
Segundo o PMP, as carcaças foram localizadas durante o patrulhamento preventivo da equipe, sem necessidade de acionamento por parte da população. Ao GLOBO-Niterói, os veterinários informaram que as tartarugas não apresentavam ferimentos externos aparentes. Os corpos exibiam inchaço e autólise (decomposição interna natural após a morte), sendo encaminhados ao Centro de Reabilitação e Despetrolização de Maricá para a realização de exames de necropsia, que definirão a causa dos óbitos.
O episódio foi registrado por banhistas que passavam pelo local nas primeiras horas do dia. O triatleta Matheus Bartholo, frequentador da Praia da Boa Viagem, contou ter visto as tartarugas mortas em meio a uma grande quantidade de lixo.
— Uma senhora disse que havia outra (tartaruga) morta no dia anterior. Infelizmente o lixo está quase sempre presente nessa praia — relatou.
A equipe de reportagem esteve no local na manhã da última quinta-feira e constatou grande quantidade de lixo flutuando no mar e também espalhado pela areia. Durante a manhã, equipes da Clin realizaram a limpeza da orla com o auxílio de caminhões e equipamentos pesados.
Tartarugas encontradas mortas na Praia de Camboinhas, em julho de 2025
Milton Calmon Filho
Um dos casos mais graves, porém, ocorreu antes, em julho de 2025, quando 16 tartarugas-verdes foram encontradas mortas, presas a uma "rede fantasma" — equipamento de pesca abandonado à deriva — em Camboinhas.
Em nota, o PMP afirmou que “a ocorrência evidencia os impactos diretos do descarte e abandono de materiais de pesca no ambiente marinho, que continuam representando ameaça significativa à fauna oceânica”.
Sobre a presença de lixo e redes de pesca irregulares na Baía de Guanabara e praias oceânicas, o Instituto Chico Mendes (ICMBio), responsável pela gestão de unidades de conservação federais, disse que a responsabilidade de ocorrências na Praia da Boa Viagem é do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
Já o Inea não respondeu até o fechamento desta reportagem. Questionada sobre a grande quantidade de lixo na região, a prefeitura de Niterói também não se posicionou.
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