Nimbus: menu degustação afinado e refinado de chef inglês brilha em nova casa em Botafogo

 

Fonte:


O nome dá a pista: James McLennan é inglês de Liverpool. Viveu 15 anos em Melbourne, na Austrália e, aos 42, já soma 20 anos trabalhando em restaurantes pelo mundo. Casado com Ruth, brasileira, há um ano veio viver no Rio, onde, há poucos meses, os dois abriram o Nimbus, restaurante instalado em uma casa antiga de Botafogo. Um achado: meia dúzia de profissionais, cada um na sua área, tocando juntos um espaço refinado e afinado, de perfil único por aqueles lados. Não chega a ser o vizinho Oteque, mas segue por um caminho parecido, alguns degraus abaixo, mas com um belo menu degustação de oito pratos a R$ 600. Muito? Sim, mas a média de preço por aqui de casas como essa costuma passar dessa cifra.

Joia arquitetônica, Edifício Touring reabre na Praça Mauá como novo complexo gastronômico

De sorvete feito na hora com nitrogênio a ‘casquinha húngara’, hits e novidades para dar um gelo no calor

É uma estrutura simples, especialmente se comparado com o que está por vir. O luxo do Nimbus está no prato, taças, louças, seleção de vinhos, drinques e, principalmente, na cozinha desse chef que se apresenta aos clientes na chegada e na saída, em um português de fôlego curto, mas com esse gesto de enorme cordialidade e simpatia. Sua técnica é francesa, a precisão é japonesa e a ousadia talvez seja fruto das muitas paragens por onde morou e cozinhou. Deu numa bela mescla. Afora a prática recorrente de menu degustação por aqui, o Nimbus não lembra nenhuma outra casa daqui. Nada em quase tudo. Só abrem para jantar e no salão dispõem de 30 lugares. Os preços das taças de vinho podem variar de R$ 46 a R$ 124.

Casa é comandada pelo chef inglês James McLennan e sua esposa, Ruth

Divulgação/Tomas Rangel

A noite começa com pão e manteiga com cebola caramelizada do chef. As ostras com sorbet de ervas chegam depois e, na sequência, servidos juntos na mesma louça, o macaron de beterraba recheado de macadâmia; o parfait de fígado de frango com goiaba; a tempura de verdura com camarão e molho ponzu; o crudo de lula com gel de maçã e pele de porco estalante (some na boca) e o tomate curtido (chamado de “couro” no cardápio) com creme azedo e kombucha. Delícia. Lindos. O peixe do dia foi servido cru, um naco alto levemente curado com leite de caju, um lacto vinagrete e rabanetes que deram um ‘croc’. E dos grandes da noite: o alho poró com alho preto acompanhado de um cracker crocante e arroz vermelho e nori. Comeria vários. A tainha fresca veio com mexilhões e o corte de fraldinha grelhada, “pommes anna”, aspargos, abóbora e raiz de aipo fechou a primeira parte do jantar.

Na segunda, a doce, entrou em cena a chef confeiteira Tay Magalhães (ganhou algum reality de TV) que criou três rodadas de doces: pavê com praliné, madeleine com cachaça, patê de frutas e flores... Noite mais do que ganha. Nimbus (nuvem, em latim) é das boas novidades do momento, torcer para que a casa siga igualzinha, do jeito que está, sem tirar nem por. E com o chef nos levando até a porta.

Nimbus: quatro garfinhos (muito bom)

Rua Dezenove de Fevereiro 153, Botafogo (99759-9735). Ter a sáb, das 19h à meia noite.

Initial plugin text

Initial plugin text