Nikolas Ferreira rebate críticas de padre: 'Falta intelecto, ou Bíblia, ou os dois'

 

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) rebateu, nesta segunda-feira, as críticas sofridas pelo padre Ferdinando Mancilio, da Igreja do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, sobre a realização da caminhada até Brasília e a defesa do porte de armas. Em um vídeo que passou a circular nas redes sociais neste final de semana, gravado em uma missa ocorrida no domingo passado (25), o pároco afirmou, sem citar Nikolas, que não adianta uma pessoa sem "nenhum projeto a favor do povo" realizar uma manifestação que, para ele, possui somente o intuito de querer o poder. Para o parlamentar, contudo, "falta intelecto ou Bíblia" para justificar o posicionamento do padre.

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A fala do padre aconteceu durante sua pregação em uma missa no dia 25 de janeiro, mesmo dia em que o ato de Nikolas foi encerrado, com a realização de uma manifestação que reuniu cerca de 18 mil pessoas. Na mesma celebração, Mancilio ainda criticou quem defende o porte de armas, o que foi rebatido por Nikolas.

— Falta intelecto ou Bíblia. A arma não é o mal, o mal é quem utiliza. Ou você não lembra quando Caim matou Abel (passagem bíblica) com uma .40? Ou quando Davi matou Golias com uma metralhadora? — ironizou Nikolas, em um vídeo publicado nas redes sociais.

O deputado também afirmou que as armas podem fazer o bem "da mesma forma que fazem o mal", assim como qualquer outro objeto, e é capaz de "proteger inocentes". Ele também ironizou Mancilio ao mencionar a segurança do Papa Leão XIV:

— Ou você acredita que quem defende o Papa e seus seguranças utilizam a Bíblia? Claro que não — disse Nikolas. — Eles se indignam com um deputado caminhando de forma ordeira e pacífica, mas eu nunca vi essas mesmas pessoas que dizem que estamos politizando a fé, falar do crime organizado no país, e dizer sobre as armas que matam inocentes nas mãos de criminosos — completou.

O que disse o padre

A fala do padre aconteceu durante sua pregação em uma missa no dia 25 de janeiro, mesmo dia em que o ato de Nikolas foi encerrado, com a realização de uma manifestação que reuniu cerca de 18 mil pessoas. De acordo com o deputado, o intuito da caminhada seria defender a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e também a Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

— Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo, e dizer que está defendendo a vida. Mentira, quer o poder. Acho que você entende o que estou dizendo — disse Mancilio.

Na mesma celebração, o padre ainda criticou quem defende o porte de armas:

— "Padre, eu sou cristão, mas sou a favor das armas", me disse uma pessoa aqui no Santuário. Não tem jeito, é impossível. A arma só tem uma finalidade, de ferir e matar. Alguém me disse que o machado também mata, mas sua finalidade é outra. De que lado nós estamos? -- questionou o pároco.

'Comunista' e 'covarde'

Parlamentares da direita reagiram às críticas do padre sobre a caminhada promovida por Nikolas. Segundo o líder do PL na Câmara, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), o pároco é uma "vergonha" para a Igreja Católica.

"Padre esquerdista, comunista. Vergonha para a Igreja Católica", escreveu Sóstenes, que também é pastor da Assembleia de Deus, em suas redes sociais, neste domingo.

O senador Magno Malta (PL-ES), que esteve presente no ato, também definiu o padre como "esquerdista e comunista". Em um vídeo divulgado nas redes sociais, neste domingo, ele chamou de covardia a "falta de coragem" do líder religioso em não citar o nome de Nikolas.

— Eu tenho certeza que muita gente que foi à missa está insatisfeita. Você (padre) se incomodou tanto, mas foi tão covarde que não teve nem coragem de dizer o nome do Nikolas — disse o senador. — Não sei a sua idade, mas espero que o senhor esteja vivo para vê-lo ser presidente da República.

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Outro parlamentar que criticou o padre foi o deputado federal José Medeiros (PL-MT), ex-vice líder do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro:

"Padre ridiculariza marcha para Brasília e autodefesa ao mesmo tempo. Isso não é defesa da paz, está defendendo o discurso do partido do qual é simpatizante", escreveu.

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Caminhada 'pela liberdade'

A caminhada de cerca de 240 quilômetros partiu de Paracatu (MG), no dia 19 de janeiro, e chegou na capital no dia 25, na Praça do Cruzeiro, onde foi realizada uma manifestação.

Durante seis dias, os manifestantes atravessaram trechos de Minas Gerais e Goiás, acompanhado por forças de segurança. Segundo Nikolas, o trajeto teve caráter simbólico e buscou mobilizar apoiadores contra decisões judiciais que considera injustas.

A manifestação ocorreu sob reforço do policiamento do Distrito Federal. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a proibir protestos em frente ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde Bolsonaro está preso, e autorizou a retirada imediata de manifestantes que descumprissem a determinação.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) declarou apoio à mobilização nas redes sociais e participou de um momento de oração com o deputado na manhã deste domingo. Em publicações, afirmou que “Deus tem algo muito grande para a nossa nação através da vida” de Nikolas Ferreira e citou passagens bíblicas em referência ao ato.

No ato de encerramento da caminhada, no Eixo Monumental, em Brasília, nas proximidades do Memorial JK, A queda de um raio na área Central de Brasília deixou feridos entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Corpo de Bombeiros informou que 89 pessoas receberam algum tipo de atendimento no local, das quais 47 foram encaminhadas para hospitais da região. Onze delas demandaram "maiores cuidados médicos", segundo a corporação. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram bombeiros prestando atendimento.