Nicolas Prattes fala da relação com Zoe, sua ‘filha do coração’, e do casamento com Sabrina Sato: ‘Me preparei a vida inteira para ser o melhor marido’
Nicolas Prattes poderá ser visto em diferentes papéis em 2026. Aos 29 anos, o ator está no ar como o bon-vivant Mirinho, seu primeiro vilão na carreira, em “A nobreza do amor”, novela das 18h da TV Globo. Já no cinema, ele protagoniza o filme “O advogado de Deus”, adaptação de Wagner de Assis do livro espírita de Zíbia Gasparetto e Lucius, que aborda desafetos do passado, crença em outras vidas e carmas. Em breve, estreará ainda na cinebiografia de Jesse Koz e seu golden retriever, “Minha vida com Shurastey”, que lhe deu a oportunidade de contracenar com a mãe, a atriz Giselle Prattes.
Leia também: Após 'Vale tudo', Taís Araujo negocia participação em novela da Globo
Entrevista: Marcelo Médici fala do trabalho em 'A nobreza do amor' e dos 36 anos de carreira
Para dar conta dos projetos simultâneos, ele diz ter enfrentado uma maratona que exigiu uma sincronia perfeita dos cronogramas. Durante um período, o ator se dividiu entre as locações internacionais do longa sobre Koz e os estúdios da novela no Rio de Janeiro. Ele relata ter ficado nove semanas longe de casa, passando por locais como Balneário Camboriú, em Santa Catarina; Buenos Aires e Mendoza, na Argentina; e Salt Lake City, Nova York e Beverly Hills, nos Estados Unidos.
A intensidade foi tamanha que o visual de um projeto acabou invadindo o outro de forma inédita, revela:
— Foi a primeira vez na minha carreira que eu literalmente saía de um set e ia para o outro no mesmo dia. Ninguém sabe disso, mas o cavanhaque e o bigode, na verdade, eram a caracterização para o filme do Shurastey. Como gravamos ao mesmo tempo e não havia como mudar, o visual acabou virando o do Mirinho. Quando acabou o filme e fiquei só com a novela, achei que ficaria mais leve, mas fui mergulhando de cabeça e esqueci. Hoje, para mim, esse bigode sempre foi do Mirinho, sempre foi para ser.
Na pele do vilão, o ator experimenta uma liberdade artística até então desconhecida, embora revele estar enfrentando um volume de gravação muito maior.
— Já fui mocinho de diversas novelas e nunca gravei tanto. O mocinho vive só a própria vida e tem a função de ser um exemplo. O que ele diz necessariamente tem que ser aquilo que está sentindo. Já o vilão tem que viver a própria vida e, ao mesmo tempo, a do mocinho, para poder atrapalhá-la. O Mirinho está me fazendo descobrir outra forma de atuar: às vezes, o que estou falando esconde um sentimento oposto. Aquela mentira vai trazer algo de bom para o personagem. Sinto muita liberdade artística.
Na vida real, o ator, que é casado com Sabrina Sato, diz ser completamente oposto ao vilão e se preocupar com as questões do machismo:
— Vivemos em um mundo em que não podemos ignorar que o machismo literalmente mata. Está mais do que provado. Sou padrasto de menina (Zoe, de 7 anos) e tenho três irmãs mais novas que ainda estão na escola. Na vida, quero ser o melhor exemplo para que elas saibam identificar um alerta, um sinal amarelo, desde muito cedo. O Mirinho serve para mostrar o machismo, o mau-caratismo e a covardia. Não desejo uma redenção. Ele tem que pagar pelo que fez.
A estrutura familiar, aliás, é o pilar central da vida do ator. Ele ressalta a relação de proximidade com a mãe, a avó e seus “dois super-heróis”: o pai biológico e o padrasto. Essa bagagem o preparou para o casamento e para a paternidade afetiva:
— Desde muito cedo, aprendi a dar valor a essa estrutura de pessoas que me formaram como ser humano. Agora, com a Sabrina e com a minha enteada, que é minha filha do coração, sinto como se tivesse sido preparado a vida toda para o momento que vivo agora: para assumir esta função e ser o melhor marido e parceiro.
Sabrina e Prattes começaram a namorar em 2024 e, no início do ano passado, subiram ao altar. Ao abrir o coração sobre a parceira, ele deixa à mostra o lado romântico.
— Torcemos muito um pelo outro. Quando a Sabrina fala de mim, vejo o olho dela brilhar. Quando falo dela, sinto a voz embargar porque me emociono. São coisas naturais do amor: uma relação muito orgânica. Ela tem a vida muito agitada na frente das câmeras, é apresentadora de reality, o maior ícone de moda do país, mas nos entendemos. As pessoas (que não são da área artística) veem uma cena de 30 segundos na televisão, mas não sabem que ficamos 12 horas no set para fazer aquilo acontecer.
Além da apresentadora, o artista preserva o vínculo profissional com a mãe, Giselle Prattes. Os dois dividem a tela em “Minha vida com Shurastey”, no qual ela interpreta sua tia. A parceria vem desde a infância e já passou pelos palcos e pelo cinema, como na peça “O rei leão 2” e no suspense psicológico “O segredo de Davi” (2018).
— A laranja não cai longe do pé. Com 3 anos, eu estava na coxia do teatro vendo as peças infantis da minha mãe. Esta foi a minha vida. Não é a primeira vez que atuamos juntos. Na época do teatro, depois de três meses de ensaio todo dia juntos, eu ficava impressionado. Mas, quando estamos no set hoje em dia, já entra por osmose. Ela é a personagem dela e eu sou o meu, já não nos misturamos.
A arte e o esporte carregam uma forte conexão espiritual para o ator. Recentemente, ele relembrou uma reflexão que tomou conta de seus pensamentos sobre um momento de superação familiar.
— Quando estava na corrida, lembrei da história do meu nascimento. Minha mãe teve uma gravidez com preocupação, aos 17 anos, e a previsão era que eu nascesse dez dias depois. Só que, um dia, ela tinha acabado de almoçar e falou: "Preciso ir para o hospital porque meu filho vai nascer". As pessoas estranharam, mas a levaram. Quando fez o ultrassom, eu estava com quase uma terceira volta do cordão umbilical no pescoço. Tiveram que fazer o parto na hora. É importante lembrar destes momentos para a intuição e para a saúde, já que a gente não sabe o dia de amanhã.
Nicolas Prattes abre o jogo sobre a relação com a espiritualidade, tema do longa “O advogado de Deus”.
— Meu pai é espírita e, durante a infância, frequentei os centros com ele. Já conhecia a obra da Zíbia Gasparetto, mas não tinha lido este livro específico. Quando o convite do Wagner de Assis chegou, fiquei fascinado. Me considero um espiritualista e acredito que a gente tem uma missão nesta Terra. Descobri a minha bem cedo: contar histórias. O filme mexe com muita gente porque o Daniel começa quase como um ateu e tem diversas provas ao longo da trajetória de que a gente não está sozinho e que os acontecimentos não são meras coincidências.
Próximo de completar “mais tempo de carreira na televisão do que fora dela”, o ator rechaça os rótulos de que “está vivendo o auge do ofício”. Apesar de alguns trabalhos pontuais durante a infância, Prattes engatou, de fato, na carreira quando assumiu, aos 18, o protagonismo em "Malhação: seu lugar no mundo" (2015).
— Muitas pessoas dizem que é o meu melhor momento da carreira, mas não gosto de acreditar muito nisso. O melhor momento sempre está por vir. Seria uma injustiça comigo acreditar que, com 29 anos, o meu melhor é agora. Tenho tanta vida pela frente e tanto para descobrir sobre o meu ofício que quero estar sempre 1% melhor no dia seguinte.
TV e famosos: se inscreva no canal da coluna Play no WhatsApp
O tempo na área o ensinou a blindar-se das críticas. Em vez de absorver o "hate", ele foca na longevidade e na preservação da saúde mental diante da exposição pública, sobretudo após o casamento:
— É impossível agradar a todos na nossa indústria. Com o tempo e a maturidade, busquei o autoconhecimento para saber quem sou, e não o que os outros dizem que sou. Isso é essencial para a saúde mental, que está totalmente atrelada à física. Quero estar aos cem anos fazendo o que faço. Artista não pensa em aposentadoria. Saber o ser humano que sou, o ator que sou e o que quero para a minha vida é a tríade para seguir em frente.
Galerias Relacionadas
As mudanças visuais de Nicolas Prattes
Nicolas Prattes, Zoe e Sabrina Sato
Reprodução/Instagram
Initial plugin text
SIGA A COLUNA NAS REDES×
