Único a quebrar a barreira do som com carro a jato, britânico bate novo recorde de velocidade - QTU Questões do Universo

Único a quebrar a barreira do som com carro a jato, britânico bate novo recorde de velocidade

Fonte: Bandeira da fonte

O britânico Andy Green, de 64 anos, voltou a quebrar um recorde de velocidade nesta terça-feira.
O ex-piloto da Força Aérea Real do Reino Unido atingiu 653,908 km/h a bordo de um carro equipado com dois motores de combustão movidos a hidrogênio, nas Salinas de Bonneville, no estado americano de Utah.
A marca foi reconhecida pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) como o novo recorde mundial para a categoria de veículos movidos a hidrogênio por combustão.
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O veículo, desenvolvido pela fabricante britânica de máquinas para construção JCB, tem 9,75 metros de comprimento e 1,6 mil cavalos de potência.
Os motores são adaptações dos propulsores utilizados em máquinas pesadas da empresa.
O sistema mistura hidrogênio pressurizado com ar e provoca a ignição da combinação para gerar potência.
A velocidade alcançada nesta terça-feira superou com folga o recorde anterior de carros com motores de combustão a hidrogênio, de 298,5 km/h.
Green tinha como objetivo superar também sua própria marca para carros a diesel, estabelecida em 2006, quando atingiu uma média de 563,4 km/h nas mesmas salinas.
Apesar do novo recorde, a marca está muito distante do recorde absoluto de velocidade em terra, que pertence a ninguém menos que...
ele próprio.
Em 1997, Green conduziu o Thrust SSC a uma velocidade média de 1.227,985 km/h, tornando-se o primeiro — e até hoje único — piloto a quebrar a barreira do som em terra.
Recorde há quase 30 anos
Naquele ano, o britânico atingiu a marca a bordo de um carro de aproximadamente dez toneladas equipado com dois motores a jato Rolls-Royce Spey, semelhantes aos utilizados em caças militares.
Durante a passagem pelo deserto de Black Rock, em Nevada, o estrondo sônico provocado pelo veículo foi ouvido a quilômetros de distância e chegou a provocar alarmes de carros e outros efeitos em Gerlach, uma cidade localizada nas proximidades.
A preparação para aquele feito começou anos antes.
Em 1994, Green encontrou em um jornal britânico um anúncio que procurava um piloto de alta velocidade para tentar quebrar a barreira do som.
Na época, ele era piloto da Força Aérea Real e voava o caça supersônico Panavia Tornado.
Andy Green tornou-se a única pessoa a pilotar um carro até ultrapassar a barreira do som
Divulgação | Guinness
Formado em matemática pela Universidade de Oxford, Green também havia praticado remo, bobsled (esporte olímpico de inverno) e motociclismo, além de correr maratonas.
A experiência como piloto de testes de aeronaves supersônicas foi considerada um diferencial para assumir o comando do Thrust SSC.
Durante os testes do carro, porém, Green enfrentou problemas de estabilidade.
Em maio de 1997, durante uma sessão de testes na Jordânia, o piloto chegou a considerar que o projeto havia fracassado.
A solução encontrada foi realizar pequenas e constantes correções na direção para manter o veículo estável, em um processo que ele comparou ao ato de equilibrar um lápis na ponta do dedo.
Em junho daquele ano, Green chegou a 788 km/h durante os testes.
Meses depois, em outubro, o Thrust SSC foi levado ao deserto de Black Rock, onde percorreu uma área de 22,5 quilômetros especialmente preparada para o recorde.
A primeira passagem de Green pelo trecho cronometrado alcançou 1.149,303 km/h.
Na segunda, ele chegou a cerca de 1.240 km/h.
Pela regra dos recordes de velocidade em terra, os resultados das duas passagens foram calculados em conjunto, chegando à média oficial de 1227,985 km/h.
O feito de 1997 permanece sem ser superado.
Green, no entanto, continuou envolvido em projetos de alta velocidade.
Em 2006, voltou às Salinas de Bonneville para estabelecer o recorde de velocidade de um carro movido a diesel.
Ao volante de um veículo da JCB equipado com dois motores a diesel, alcançou 563,4 km/h.
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Na ocasião, a velocidade foi limitada principalmente pela capacidade dos pneus, e não pela potência do carro.
Green sequer chegou à marcha mais alta do veículo.
Agora, o piloto retorna às salinas para demonstrar o potencial da combustão de hidrogênio.
A JCB defende que o combustível pode ser uma alternativa para setores pesados nos quais a eletrificação seria mais difícil de implementar, ainda que não seja considerado, necessariamente, uma fonte de energia limpa, uma vez que depende de como é produzido.
Green também participou do projeto Bloodhound, desenvolvido no Reino Unido com a ambição de superar a marca de 1.609 km/h.
Em 2019, ele conduziu o veículo a 1.011 km/h durante testes na África do Sul.