Neymar, técnico estrangeiro, jejum: por que esta pode ser a convocação mais marcante da seleção desde 2002

 

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No último mês, praticamente todos os personagens relevantes do futebol brasileiro — e internacional — responderam a mesma pergunta: Neymar deve ou não ir à Copa do Mundos dos Estados Unidos, Canadá e México. A resposta será dada nesta segunda-feira. Mas, independentemente da decisão do técnico seleção brasileira, Carlo Ancelotti, a convocação do Mundial de 2026 já pode ser considerada a mais marcante desde 2002.

Há 24 anos, a pergunta que não calava em todo o Brasil citava outro jogador. Romário foi quem dividiu as opiniões da imprensa e ganhou campanha massiva da torcida até o dia do anúncio. A expectativa pela lista final foi grande. Porém, Felipão disse não ao lobby pelo desgaste da relação com o Baixinho e por opção tática. A presença do atacante no time mudava o esquema do time, e ele preferiu Luizão.

Hoje, é a vez de Neymar ser o centro das atenções da convocação que levará 26 jogadores para o Mundial. Na última semana, o atacante pautou a mídia e as redes sociais, que misturaram apuração e adivinhação (e algum toque de desejo por parte de alguns) para "ler a mente" de Ancelotti. A discussão gira em torno, sobretudo, pela condição física atual do camisa 10 da seleção e do Santos. Porém, a experiência e o peso do seu nome tamvém são vistos como trunfos em uma competição de tiro curto.

O técnico italiano é por si só outro personagem que torna a convocação deste ano memorável. Pela primeira vez na história, a seleção brasileira terá um treinador estrangeiro no comando. Único país presente em todas as edições de Copas do Mundo, o Brasil se abriu ao novo após a saída de Tite, que esteve à frente da equipe nos dois últimos Mundiais, eliminada nas quartas de final em ambas.

O desejo da CBF por Ancelotti era antigo, mas só foi confirmado após a saída do italiano do Real Madrid, onde conquistou um sem número de títulos. Fernando Diniz e Dorival Júnior esquentaram a vaga do técnico, que está há apenas um ano à frente da seleção. A sua contratação não foi recebida de forma unânime, e alguns colegas de trabalho do país torceram o nariz pela chegada de um estrangeiro para comandar um dos principais símbolos do país.

O treinador, inclusive, retorna à Copa do Mundo após mais de três décadas. Ancelotti estava presente no banco de reservas da Itália, como auxiliar do técnico Arrigo Sacchi, no Mundial de 1994. Na ocasião, viu a seleção italiana perder a final para o Brasil de Romário e Cia, nos Estados Unidos.

As coincidências também fazem a convocação atual ganhar mais notoriedade. A busca pelo sonhado hexacampeonato completa 24 anos neste Mundial. A última conquista foi justamente na Copa do Mundo de 2002, no Japão e na Coreia do Sul. Aquela que Romário não foi, mas teve a redenção de Ronaldo Fenômeno.

O último jejum da seleção brasileira também durou 24 anos. Entre 1970 e 1994, os brasileiros viram a seleção ser quarta colocada na Alemanha Ocidental, campeã moral na Argentina, cair nas quartas de final na Espanha e no México e ser eliminada nas oitavas de final por Maradona. Mas, na primeira Copa do Mundo nos Estados Unidos, viu Dunga levantar a taça.

Agora, entre 2002 e hoje, foram quatro eliminações nas quartas de final (França, Holanda, Bélgica e Croácia) e o fatídico 7 a 1 da Alemanha, no Mineirão, na segunda Copa sediada no país.