NetLab contesta versão da Meta sobre bloqueio da conta de anúncios de Lula

NetLab contesta versão da Meta sobre bloqueio da conta de anúncios de Lula - Foto
Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Diante das alegações da Meta de que desativou temporariamente por engano a conta de anúncios da campanha do presidente Lula (PT), o NetLab, centro de estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contestou publicamente a explicação da gigante da tecnologia e cobrou transparência efetiva da empresa.

A manifestação do laboratório universitário ocorre no âmbito de uma representação movida pelo PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte Eleitoral deu um prazo de 24 horas para que a Meta demonstrasse a ausência de favorecimento político em suas plataformas, o que levou a multinacional a alegar isonomia perante o ministro relator Marco Aurélio Bellizze e solicitar o arquivamento do processo.

Entretanto, uma análise conduzida pelos cientistas da UFRJ coloca em dúvida a justificativa apresentada pela dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Ao investigarem a circulação de publicidades entre os dias 16 e 30 de setembro — período em que ocorreu a suspensão da página de Lula, em 23 de setembro —, os pesquisadores identificaram que a moderação da empresa permitiu a veiculação ostensiva de peças enganosas no mesmo intervalo.

“Com nosso histórico de pesquisa sobre evidências de esquemas fraudulentos envolvendo políticas públicas nas plataformas da Meta, essa explicação nos chamou a atenção. Afinal, desenvolvemos uma infraestrutura de monitoramento contínuo de anúncios problemáticos, irregulares, potencialmente ilegais e fraudulentos que circulam nessas plataformas e, apesar dos reiterados alertas que emitimos, a empresa não demonstrou ser capaz de combater efetivamente esses esquemas”, enfatiza a nota divulgada pelo NetLab.

Os dados levantados revelam que, no recorte analisado, pelo menos 967 anúncios fraudulentos explorando programas do governo federal estiveram ativos na plataforma, impulsionados por 42 páginas distintas — sendo que 26 delas permaneciam no ar. Uma única página apócrifa, posteriormente removida, chegou a veicular 251 peças enganosas sobre o programa Desenrola Brasil.

Segundo o estudo, a proliferação desses conteúdos decorre de falhas estruturais nos mecanismos de checagem da empresa, que operam com “mecanismos ineficazes de verificação de identidade e idoneidade dos anunciantes”. Os acadêmicos ressaltam que essas falhas parecem “menos orientados à efetiva proteção dos usuários do que à manutenção de um modelo de negócios em pleno funcionamento”, citando ainda dados investigativos da agência Reuters que apontam que cerca de 10% do faturamento da Meta viria de anúncios irregulares e ilícitos.

Ao confrontar o anúncio oficial da campanha de Lula com o material fraudulento mantido no ar, o NetLab questiona a consistência técnica dos critérios de bloqueio.

“A comparação suscita questionamentos sobre os critérios e os mecanismos técnicos utilizados pela Meta para tomar esse tipo de decisão. Se não houve motivação política por trás da medida, resta concluir que os mecanismos de detecção de fraudes da empresa são, no mínimo, profundamente ineficazes — uma infraestrutura tecnológica de segurança incompatível com uma companhia cuja receita, no ano passado, foi de US$ 201 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 1 trilhão”, pontua o relatório.

A nota sublinha ainda a gravidade do bloqueio ter atingido um perfil devidamente registrado e validado pela Justiça Eleitoral para o pleito. “É surpreendente, portanto, que a Meta justifique o bloqueio da conta de anúncios da campanha do presidente Lula como resultado de uma atuação diligente no combate a fraudes envolvendo políticas públicas brasileiras. Afinal, trata-se de uma conta oficial de campanha, devidamente declarada à Justiça Eleitoral, conforme exigido pelo TSE. É razoável esperar que a empresa reconheça essa condição, sobretudo no cumprimento de seus deveres de diligência durante o processo eleitoral”, afirmam os pesquisadores.

Por fim, o centro de pesquisa reforça que a credibilidade da empresa frente ao processo eleitoral brasileiro só poderá ser restabelecida por meio de auditoria e abertura de dados. “Os representantes da Meta podem falar, escrever notas, artigos e peças jurídicas sobre a idoneidade da empresa. Sem transparência, tudo é letra morta. As únicas evidências disponíveis que a sociedade brasileira tem para julgar o comportamento da empresa durante as eleições do país apontam para o contrário do que ela afirma”, conclui o documento.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Brasil 247