Netanyahu na frente, mas sem maioria garantida em Israel

Netanyahu na frente, mas sem maioria garantida em Israel - Foto
Fonte da notícia: Noticias do Planalto Noticias do Planalto

A coligação liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está à frente na contagem de votos das eleições legislativas em Israel, porém ainda sem maioria para formar governo. Na véspera, a população foi às urnas em grande número para decidir sobre o governo do premiê Netanyahu, o líder que mais tempo esteve no cargo na história do país e que tem direcionado Israel para uma postura de extrema direita, desencadeando conflitos após os ataques do grupo islamista palestino Hamas em 7 de outubro de 2023.

Após a votação, Netanyahu e seu adversário centrista Gadi Eisenkot prometeram formar um governo, mesmo sem previsão de obter maioria no Parlamento. Com dois terços dos votos contados, o bloco de direita sob comando de Netanyahu conquistava 54 das 120 cadeiras no Parlamento.

O grupo de oposição liderado por Eisenkot somava 48, enquanto os partidos árabes tinham 18 cadeiras. Esses números ainda podem variar com os votos restantes.

Pesquisas de boca de urna indicavam empate técnico entre as duas principais frentes, ambas abaixo do necessário para controlar o Legislativo. Os eleitores que apoiam partidos árabes votaram em grande número, motivados a impedir a continuidade de Netanyahu, que insiste que essa minoria compromete a orientação nacionalista judaica adotada pelo país.

A análise dos resultados sugere que o bloco de Eisenkot poderia obter a maioria se se alinhasse aos partidos árabes, mas parte desses grupos manifestou dúvidas a respeito durante a campanha. Por outro lado, Yair Golan, líder do principal partido de esquerda e membro da coalizão de Eisenkot, conclamou a parceria com os cidadãos árabes para formar um governo de mudança, ressaltando a necessidade de superar divisões raciais.

Durante a campanha, Eisenkot afirmou que não governaria com parlamentares árabes, posição repetida por Netanyahu, que considera que um executivo apoiado por votos árabes careceria de legitimidade. Os representantes árabes poderiam, porém, apoiar votações específicas para manter um governo minoritário sem integrar a coalizão formalmente.

Sem maioria clara Diante da ausência de maioria definida, Israel pode enfrentar semanas de negociações ou até novas eleições, caso não haja acordo.

Um empate poderia favorecer temporariamente Netanyahu, que seguiria como primeiro-ministro interino até a formação do governo. Espera-se que os resultados definitivos sejam divulgados até o fim do dia seguinte à eleição.

No discurso a seus apoiadores em Jerusalém, Netanyahu prometeu um “governo forte de direita” e salientou a importância da união da maioria judaica e sionista. Com 77 anos e quase duas décadas no poder de forma intermitente, o primeiro-ministro foi breve em seu pronunciamento e não declarou vitória.

O presidente dos Estados Unidos na época, Donald Trump, destacou que seu apoio a Netanyahu ajudou bastante nas eleições. Apelo por mudança

Por sua vez, Eisenkot alertou para o uso político da segurança nacional e chamou Netanyahu de “primeiro-ministro interino, sem mandato ou confiança popular”. As eleições ocorreram num momento de isolamento crescente de Israel no cenário global, com tensões crescentes no Irã e Gaza, aumento nas construções em assentamentos e violência na Cisjordânia.

Eisenkot concorda com Netanyahu em questões de segurança e apoiou a ofensiva em Gaza, mas prometeu criar um ambiente mais inclusivo e conter colonos violentos. Com participação recorde de quase 78%, Eisenkot defendeu a formação rápida de governo e afirmou que o voto da população foi por mudanças.

Os partidos árabes israelenses surpreenderam positivamente na votação, obtendo 18 ou 19 cadeiras, um avanço significativo. A população árabe israelense, também conhecida como cidadãos palestinos de Israel, representa cerca de 21% da população total, e seu envolvimento político tem se destacado.

Publicação Original Noticias do Planalto noticiasdoplanalto.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →