Netanyahu diz que 'ação rápida' contra o Irã abrirá caminho para a paz com países árabes

 

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em entrevista à Fox News nesta terça-feira (3) que o regime iraniano 'está em seu ponto mais fraco' e que a atual guerra será uma 'ação rápida e decisiva'.

'Acredito que isso abrirá caminho para muitos tratados de paz com outros países árabes e muçulmanos. A Arábia Saudita terá muito a ganhar. Todos esses países se sentem ameaçados pelo Irã; eles querem a queda do regime, mesmo que não o digam publicamente. Se o Irã for deposto, será uma grande vantagem para Riad e esses outros países', completou.

Em uma publicação na sua rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a 'defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança' do Irã 'desapareceram'.

Respondendo a outro usuário da plataforma que disse que os ataques dos EUA levaram ao 'nascimento da Doutrina Trump', o presidente disse que os iranianos quiseram negociar, mas era 'tarde demais'.

O enviado especial do governo Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, afirmou em entrevista à Fox News que durante as negociações com o Irã, o país disse que possuía urânio enriquecido a 60% suficiente para construir 11 bombas nucleares.

De acordo com ele, os negociadores iranianos disseram 'direta e descaradamente' a Witkoff e ao genro do presidente americano Donald Trump, Jared Kushner, que controlavam 460 kg de urânio enriquecido a 60%, que poderia ser rapidamente enriquecido a 90% para a construção de bombas nucleares

Do outro lado, o governo iraniano segue defendendo que não possui armas nucleares e que não utilizava as usinas para produções desse armamento.

O momento do ataque ao Irã ocorreu por uma chance dos Estados Unidos e de Israel de matar o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. A informação está em uma reportagem do jornal Financial Times, que descreveu as horas anteriores e o plano de ataque.

Segundo o veículo, Israel invadiu o sistema de câmeras de trânsito de Teerã para monitorar o cotidiano de figuras importantes do governo iraniano. O país descobriu como funcionava o padrão de comportamento do aiatolá e de sua equipe de segurança.

Presidente Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.

Kenny HOLSTON / POOL / AFP

O relatório menciona ainda que Israel utilizou ferramentas de Inteligência Artificial, juntamente com algoritmos, para analisar a vasta quantidade de informações recolhidas sobre a liderança iraniana e os seus movimentos.

Além disso, houve uma confirmação para o governo israelense e americano de que Ali Khamenei estaria em sua residência no dia para uma reunião. Apesar de ter dois bunkers à disposição, ele normalmente preferia ficar em casa.

De acordo com o Financial Times, Israel atacou o complexo onde Khamenei estava sendo protegido usando mísseis Sparrow, enquanto os aviões foram posicionados durante o dia para obter um efeito surpresa, mesmo com o alto nível de alerta no Irã.

No total, 30 mísseis foram disparados contra o complexo, enquanto as torres de telefonia celular na área foram danificadas, de modo que os telefones dos agentes de segurança não conseguiam receber chamadas de alerta.

A operação incluiu inteligência de sinais, penetração na rede celular e a confirmação, por parte da fonte americana, de que a reunião estava acontecendo.

O jornal também mencionou que o planejamento da operação começou em 2001, quando o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon ordenou à agência de inteligência de Israel que fizesse do Irã seu principal alvo.

Já o jornal New York Times destaca que Donald Trump pretendia atacar o Irã na sexta-feira (27), porém adiou devido à possibilidade de matar o aiatolá.

Irã alerta europeus a 'não se juntarem à guerra' no Oriente Médio

Explosão no Irã após ataque dos EUA e de Israel.

ATTA KENARE / AFP

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez um alerta nesta terça-feira (3) para os países europeus a 'não se juntarem à guerra' que acontece no momento com Israel e Estados Unidos com o país persa.

Segundo ele, 'qualquer ação militar europeia é um ato de guerra que exige uma resposta'. A afirmação foi feita em uma entrevista ao Tehran Times.

Pouco antes, o Irã defendeu que está focado na 'defesa' após diversas tentativas de negociações com os Estados Unidos e voltou a rejeitar uma nova rodada de conversas com o governo Trump.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, comentou que a 'desgraça eterna recairá sobre aqueles que alegaram buscar a diplomacia, mas, diante da lógica do Irã, cederam e optaram pela via militar'.

Ele também comentou sobre uma possível entrada de europeus no conflito.

'Os europeus adotaram abordagens 'contraditórias' em relação à guerra em curso. Devem abandonar essa indiferença, pois as consequências de qualquer violação da lei e da guerra são um incêndio que em breve se espalhará para os países europeus e para o mundo'.

Sobre o aumento das tensões com os países vizinhos através de ataques à sua infraestrutura energética, ele apenas enfatizou que Teerã se considera 'comprometida com os princípios humanitários'.

'O regime sionista não hesita em cometer nenhum ato de maldade. Peço aos meus amigos árabes que reflitam cuidadosamente. O regime não hesita em expandir o alcance da guerra, difamar a reputação do Irã e cometer crimes em outros países', segue ele.

Baghaei também afirmou que 'o Irã é atualmente a única força restante que se opõe ao mal', se referindo aos EUA como 'o diabo'.

Os Estados Unidos orientaram os americanos que estão em 14 países da região do Oriente Médio e de locais próximos a 'deixarem seus países imediatamente por meios comerciais devido a sérios riscos à segurança'.

A declaração foi feita por Mora Namdar, subsecretária de Estado dos EUA, em uma publicação nas redes sociais.

Além disso, os EUA ordenaram nesta terça-feira (3) que os funcionários governamentais não essenciais deixem ao menos seis países do Oriente Médio após os ataques iranianos e do Hezbollah a embaixadas americanas na região.

Funcionários na Jordânia, Bahrein, Iraque, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos foram orientados pelo Departamento de Estado dos EUA a deixarem seus países com suas famílias 'devido a riscos à segurança'.