Netanyahu aponta doutrinação "islamista radical" de copiloto envolvido em incidente em voo

Netanyahu aponta doutrinação "islamista radical" de copiloto envolvido em incidente em voo - Foto
Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram, nesta quinta-feira (1º), que abriram uma investigação sobre uma possível motivação "terrorista", enquanto Israel apontou uma doutrinação "islamista" do copiloto acusado de tentar derrubar um avião da flydubai que seguia para Tel Aviv.

Um dia após o pouso de emergência na Arábia Saudita da aeronave, com 174 pessoas a bordo, entre elas 166 israelenses, o perfil e as motivações do agressor continuam sem esclarecimento.

Segundo os relatos dos passageiros e das autoridades israelenses, ele esfaqueou o comandante para derrubar o avião, provocando uma perda repentina de altitude, antes que vários passageiros entrassem na cabine para dominá-lo, após o que a aeronave fez um pouso de emergência na Arábia Saudita.

Considerados "heróis" em Israel, os passageiros foram homenageados nas ruas, nas redes sociais e nos programas de televisão. O incidente provocou um raro momento de união em um país profundamente dividido às vésperas das eleições.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que os recebeu no aeroporto, exaltou o "incrível ato de heroísmo" dos passageiros e da tripulação, afirmando que impediram um desastre que poderia ter tido "alcance mundial".

Entre eles está Yaniv Hayoun, um encanador que contou ter expulsado o copiloto da cabine antes de estabilizar o avião graças a noções de pilotagem adquiridas assistindo à televisão.

Sua foto, com a roupa manchada pelo sangue do agressor, ocupa nesta quinta-feira a capa de vários jornais.

Ele receberá o Prêmio Presidencial de Heroísmo Cidadão, uma das mais altas condecorações civis, junto com outros quatro passageiros: uma mulher, "a primeira" a dar o alerta, outros dois homens que dominaram o copiloto e um dentista que teria prestado atendimento de emergência ao piloto, segundo a Presidência.

A Índia, por sua vez, homenageou seu piloto, ferido e hospitalizado na Arábia Saudita. A embaixada indiana nos Emirados Árabes Unidos anunciou, nesta quinta-feira, que ele estava "em bom estado de saúde e se recuperando bem".

O ministério do Interior saudita informou que o copiloto foi transferido do reino - que não tem relações diplomáticas com Israel - para os Emirados Árabes Unidos na manhã desta quinta-feira, acompanhado por uma "equipe de segurança emiradense". As primeiras investigações revelaram que ele atacou o capitão do avião, acrescentou.

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"Intenções suicidas" "A equipe de investigação começou a trabalhar sobre o incidente, em coordenação com a Autoridade Geral de Aviação Civil e os órgãos competentes", para determinar "em que medida poderia estar vinculado a uma atividade ou tentativa terrorista", informou a agência de notícias oficial dos Emirados, WAM, que citou o procurador-geral do país.

Na quarta-feira, as autoridades israelenses classificaram o incidente como uma "tentativa de ataque terrorista jihadista", que tinha como alvos, em particular, os Emirados e os Acordos de Abraão, um pacto firmado em 2020 para normalizar as relações entre Israel e os países árabes.

Segundo Netanyahu, "o copiloto que atacou o comandante está sendo interrogado, mas isto é o que sabemos: ele havia sido submetido a uma doutrinação islamista radical".

"Ele gritou: 'Matem-me, matem-me', certo. Portanto, está claro que tinha intenções suicidas (...) Está claro que planejava derrubar o avião", declarou à emissora americana Fox News.

Netanyahu disse que espera que os Emirados conduzam a investigação e que o ataque seja trasladado rapidamente da Arábia Saudita, que não tem relações com Israel, para Dubai.

O dirigente israelense informou que o copiloto era cidadão de Omã e que seu país analisa como foi possível que trabalhasse em um voo com destino a Israel.

"Temos restrições que estabelecem que não pode haver pilotos de países que não tenham relações diplomáticas com Israel. Obviamente, ele conseguiu driblar desta restrição. Como vamos nos assegurar de investigar os pilotos antecipadamente?", questionou Netanyahu.

Gritos e sangue A companhia aérea flydubai pediu, por sua vez, que "se evitem especulações prematuras" e ressaltou que as razões do ocorrido são desconhecidas.

A empresa suspendeu seus voos com origem e destino em Israel enquanto durar a investigação.

Ao chegar a Tel Aviv, os passageiros relataram um voo "aterrorizante".

"Ouvimos gritos no avião. Depois abriram a cabine e viram sangue, e que alguém havia esfaqueado o piloto", afirmou uma passageira em uma mensagem de texto enviada a um canal de televisão israelense.

Segundo dados do site Flightradar24, a aeronave perdeu altitude bruscamente durante o voo, passando de cerca de 34.000 pés para menos de 17.000 pés em um minuto, uma queda de mais de 4.000 metros.

Um vídeo gravado a bordo do avião e transmitido pelo veículo israelense Ynet mostra um homem com a cabeça ensanguentada pedindo ajuda, pouco antes do pouso da aeronave em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita.

Após uma espera de várias horas, os passageiros finalmente puderam embarcar em outro avião da flydubai que os levou para Tel Aviv na quarta-feira.

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