Netanyahu amplia ameaças contra diretores de documentário israelense

Netanyahu amplia ameaças contra diretores de documentário israelense - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu nesta quarta-feira aprovar uma lei que retire a cidadania israelense de qualquer pessoa que difamar soldados do país, na mais recente ameaça aos jornalistas ‌Yuval Abraham e Rachel Szor, diretores do documentário “NAZA”, premiado no festival de cinema de Veneza. Leia também: Netanyahu acusa documentário sobre Gaza premiado em Veneza de ‘incitação chocante’ contra judeus Restos mortais encontrados em Gaza levantam suspeitas de crimes de guerra, diz ONU Edifício atingido na guerra de Israel em Gaza desaba e mata ao menos 21 pessoas

O documentário dirigido pelos jornalistas israelenses sustenta que o massacre de civis era uma decisão rotineira na ofensiva em Gaza posterior ao ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, no sul de Israel — algo negado por Netanyahu e pelo exército do país.

O título do filme, premiado no último sábado em Veneza, é uma referência ao termo militar usado pelas forças de Israel para “baixas colaterais”. O documentário foi construído em torno de entrevistas com sigilo de fonte, colhidas entre soldados e oficiais de inteligência do país.

O filme tem despertado acrimônia em Israel, com as forças militares do país examinando ação jurídica contra os envolvidos na produção. E contribui, também, para acirrar a disputa política na campanha eleitoral para o pleito de 27 de outubro, em que a coalizão de governo de Netanyahu luta para permanecer no poder.

Ontem, Netanyahu havia acusado parte dos rivais na disputa eleitoral de não terem tomado uma posição firme contra o documentário, o que os tornaria inapropriados para liderar o governo. Hoje, o premiê israelense prometeu fazer com que avancem no Parlamento dois projetos de lei para lidar com o “imenso dano” que teria sido causado aos soldados israelenses pelo filme.

“O primeiro [projeto de lei] é para revogar a cidadania de qualquer um que difame soldados [israelenses] . E o segundo, para atingi-los nos bolsos, com aumento em 20 vezes das indenizações decorrentes de processos de difamação”, acrescentou Netanyahu em vídeo nas redes sociais.

“Vamos atingi-los na cidadania e no bolso, o lugar deles não é conosco”, concluiu o primeiro-ministro, que atacou o filme por “retratar oficiais e soldados israelenses como criminosos de guerra”.

A Reuters não conseguiu contato com os documentaristas israelenses.

Em 2022, a Suprema Corte de Israel suspendeu a aplicação de uma lei que permitia a retirada da cidadania de israelenses cujas ações constituíssem quebra de confiança no Estado. E a expectativa é de que iniciativas legislativas semelhantes sejam também rejeitadas pela corte constitucional.

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