Nessa corrida, derrapar é parte do espetáculo: Parque Olímpico recebe Campeonato Carioca de Drift

 

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O Rio volta a acelerar em grande estilo. De sexta a domingo que vem, o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, será palco do Drift Rio 4 — evento de exibição — e do primeiro Campeonato Carioca de Drift. A modalidade que transforma derrapagens controladas em espetáculo e vem conquistando cada vez mais fãs de todas as idades e gêneros.

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Ao contrário das corridas tradicionais, o drift não premia obrigatoriamente quem cruza a linha de chegada primeiro. O foco da modalidade está na técnica. Os pilotos precisam conduzir os carros de lado, em alta velocidade, mantendo o controle absoluto do veículo enquanto executam curvas com precisão. Os pilotos são avaliados por critérios como ângulo, velocidade, trajetória e proximidade entre os carros durante as batalhas em dupla.

— O drift é uma arte de você ter controle no descontrole. Quando todo mundo acha que o carro está sem direção, você está ali, dentro dele, totalmente no controle — resume a piloto Dani Fontenelle, de 36 anos, uma das mulheres confirmadas no campeonato carioca.

Além das disputas, o evento terá exposições de carros esportivos, modificados e off-road, bem como encontro de motoclubes. Também haverá área com som automotivo, shows, DJs, food trucks, tirolesa, espaço kids, visita aos boxes e “carona radical” — experiência de dar uma volta ao lado de um piloto.

Até o momento a competição reunirá 29 pilotos, incluindo nomes conhecidos da modalidade como Felipe Medeiros, Sérgio Hanazono, Lucas Hanazono e Guilherme Facca, além de convidados dos Estados Unidos — uma das referências da modalidade ao lado do Japão. Entre os participantes, é possível ver como o drift tem tem alcançado diferentes tribos.

Morador de Madureira, Nathan Gomes, de 16 anos, é o competidor mais novo da etapa do Parque Olímpico. Ele descobriu o esporte sozinho, quando viu um vídeo no YouTube ainda criança. O amor à primeira vista virou um projeto de vida, e, depois de assistir a um evento de exibição, em 2023, ele iniciou sua trajetória para ser piloto.

— Depois do Drift Rio, eu falei para o meu pai que queria fazer isso da vida. Ele ama carros e automobilismo, então não foi difícil a conversa. Pouco tempo depois nós começamos a procurar um carro. Até que encontramos meu Chevette 89 e começamos a montar. Estamos competindo desde o ano passado — compartilha.

Natan disputa a categoria profissional com seu Chevette 1.6 turbinado. Sem idade para dirigir legalmente nas ruas, ele já passa ao menos duas horas do dia treinando. Quando não está trabalhando no simulador, está com o carro em alguma pista. A dedicação é dividida entre os estudos e a preparação do carro.

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Se Natan representa a nova geração, Dani Fontenelle simboliza a presença feminina em um ambiente que começou majoritariamente masculino. Atriz, DJ e piloto de kart, ela encontrou o drift em 2025 após fazer um curso. Agora, chega ao Campeonato Carioca com o Chevette Queen, projeto desenvolvido para unir competição e experiência para o público.

— A ideia é mostrar que o automobilismo é acessível para qualquer gênero. Ainda são poucas mulheres, mas estamos crescendo. No último evento eram duas, e agora temos quatro confirmadas, mas devemos chegar a seis nos próximos dias — afirma.

Na sexta-feira, primeiro dia do evento, cinco mil ingressos serão disponibilizados mediante doação de alimentos, agasalhos ou materiais de higiene para vítimas das chuvas que atingiram Juiz de Fora em março. O campeonato ainda terá etapas em Macaé, Araruama e um retorno à Barra, em novembro, encerrando a temporada.


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