‘Nepo babies’ do carnaval do Rio: veja quem são
A expressão foi atualizada. Se antigamente filho de peixe, peixinho era, agora esse herdeiro é nepo baby. Mas, enquanto na função pública o nepotismo — a palavra dá origem ao termo — é proibido, no carnaval ele é comum, com a nova geração seguindo os passos da família, seja na parte artística ou na direção das agremiações.
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A própria Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) atualmente é comandada por Gabriel David, filho de um ex-presidente da entidade: o contraventor Aniz Abraão David, o Anísio. Já o diretor financeiro da entidade é João Drumond: o neto de Luiz Pacheco Drumond (1940-2020), o Luizinho, também é vice-presidente da Imperatriz, escola que tem sua mãe, Cátia Drumond, como presidente.
Pré-candidato a deputado estadual, João é ainda o responsável por discursar antes de ensaios e desfiles. Anteontem (na noite de domingo), agradeceu a componentes e funcionários no microfone da Sapucaí e saudou o avô, que mesmo seis anos após sua morte segue como presidente de honra da escola de Ramos.
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— E (quero) lembrar o meu avô, que ontem (dia 14) completaria 86 anos e, lá em cima, está nos protegendo — disse João, que se formou em Direito pela PUC-Rio em janeiro.
Nesta segunda-feira foi a vez de a Mocidade se apresentar no Sambódromo. Conforme revelado pelo blog Segredos do Crime, do GLOBO, no mês passado, a cúpula do jogo do bicho deu um recado à escola: caso a Mocidade continue sem comando forte, não a manterá mais no Grupo Especial só por reconhecer o antigo patrono da agremiação, o bicheiro Castor de Andrade (1926-1997).
‘Príncipe’ da Mocidade
Atual patrono, Rogério Andrade, sobrinho de Castor, está preso desde outubro de 2024. O presidente da escola de Padre Miguel, Flávio da Silva Santos, por sua vez, também está detido. Diante do aviso da cúpula, Rogério ordenou que seu filho, Gustavo de Andrade, assumisse as rédeas da Mocidade, que vinha sendo comandada pela vice jurídica da agremiação, Valéria Stelet.
Gustavo — apelidado de “príncipe” — foi alvo, no último dia 11 de fevereiro, de uma operação do Ministério Público do Estado do Rio contra administradores de um bingo clandestino. Segundo a investigação, o estabelecimento estaria ligado a Rogério e ao filho, que chegou a ser preso em 2022, enquanto estava foragido após a Operação Calígula, que mirou a exploração dos jogos de azar.
Vitinho, mestre de bateria da Portela, estreou pela escola azul e branca
João Vitor Costa
O amor que faz as escolas de samba brilharem na Avenida corre nas veias de pais e filhos. É o caso do Mestre Vitinho, que estreou pela Portela no domingo. Filho do Mestre Faísca e neto do Mestre Alcides Gregório, ambos históricos mestres de bateria do Império Serrano — escola em que foi mestre nos últimos cinco anos —, Vitinho conta que o pai não queria, inicialmente, que ele seguisse seus passos. Mas foi difícil conter o então menino, que já chegou a quebrar o braço do sofá batucando, e que ouvia samba no antigo aparelho de MP3.
— Hoje, com mais maturidade, percebo que a fruta não cai longe do pé — diz Vitinho, que é acompanhado pelo filho Enzo na bateria. — É uma alegria ver que o samba nunca morrerá. Hoje sou mestre, mas poderia ser meu filho, ou o filho de um amigo, ou o ritmista que está começando. Aqui é um lugar de talentos, de jovens que farão a diferença no futuro, e é isso que preciso entregar sempre.
Em família
Já nos microfones, Emerson Dias, intérprete da Acadêmicos de Niterói, contou com o filho Gustavo Pipico como seu cantor de apoio pela primeira vez em um desfile, também no domingo. Depois de começar a carreira como compositor, Pipico participou de um concurso de intérpretes em 2021 e, desde então, assumiu a cantoria. Neste carnaval, ainda desfilou como apoio do carro de som do Arranco do Engenho de Dentro, na Série Ouro.
Gustavo Pipico foi cantor de apoio do pai, Emerson Dias, pela primeira vez
Reprodução/Instagram
— A gente se espelha, desde cedo, acompanhando nos ensaios, nos desfiles. Da veia carnavalesca e de sambista, não há como fugir — observa Pipico, que aponta para vantagens e desvantagens de ter o sangue de artista. — Da mesma maneira que há a visibilidade por ser filho do meu pai, há também o “desdém”.
Na segunda-feira, a situação se repetiu na Viradouro, com Wander Pires tendo como cantor de apoio o filho, Vandinho. Já na Mocidade, Igor Vianna, filho do histórico puxador Ney Vianna, faz sua estreia pela escola.
No início da folia, pela Série Ouro, o Império Serrano desfilou com o intérprete Vitor Cunha, filho do também puxador Carlinhos da Paz, e com os cantores de apoio Marcus Vinicius, filho de Marquinhos Art’Samba (intérprete da Unidos da Tijuca) e Vinicius Sumas, filho de Gilsinho, intérprete da Portela que morreu em setembro, após complicações de uma cirurgia bariátrica.
