Nepalês sobrevive à avalanche de lama ao ficar agarrado a uma mangueira - QTU Questões do Universo

Nepalês sobrevive à avalanche de lama ao ficar agarrado a uma mangueira

Fonte: Bandeira da fonte

O trabalhador nepalês Bibek Kumal cavava uma fossa para um banheiro do lado de fora de uma casa recém-construída nesta quarta-feira quando uma massa de água, lama e rochas desceu com força, arrastando-o e levando tudo o que estava ao seu redor.
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Kumal, de 24 anos, trabalhava em Bidur, rio abaixo do distrito de Rasuwa, o mais atingido pelo desastre, próximo à fronteira do Nepal com o Tibete, na China, quando ouviu um som semelhante a um chiado.
Seus quatro colegas, que estavam acima da fossa de 1,5 metro de profundidade, gritaram para que ele saísse e corresse.
Quando conseguiu sair da fossa, seus colegas já haviam fugido.
“Comecei a correr.
Então, uma massa de água desceu com um estrondo, como se fosse um terremoto”, contou Kumal de seu leito no Centro Nacional de Trauma, em Katmandu, com seu irmão Dinesh sentado ao seu lado.
A correnteza o arrastou rio abaixo em meio à lama e aos destroços, mas “por sorte, fiquei preso em uma mangueira”, afirmou.
“Se não houvesse aquela mangueira, eu teria sido arrastado e morrido.”
A enxurrada matou pelo menos 95 pessoas, e centenas estão desaparecidas, entre elas muitos estrangeiros, em um dos piores desastres já registrados no Nepal.
Outras três pessoas feridas na inundação recebiam tratamento ao lado de Kumal, enquanto mais vítimas eram levadas para a capital, Katmandu.
Autoridades afirmaram que mais de 114 pessoas haviam sido resgatadas até o momento e estavam sendo atendidas em diferentes hospitais de Katmandu e Rasuwa.
Do lado de fora do hospital, parentes, amigos e curiosos lotavam o pequeno pátio do centro de trauma.

Casa desapareceu
A inundação, desencadeada após o que aparentemente foi o desabamento de uma massa de lama e rochas sobre um rio na fronteira entre Nepal e Tibete, devastou comunidades e infraestruturas rio abaixo.
Imagens de câmeras de segurança registradas no lado chinês da fronteira mostraram várias pessoas fugindo antes que uma massa de rochas, lama e água destruísse prédios e veículos e provocasse numerosas mortes.
A causa exata do deslizamento não estava clara, mas o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências informou que houve um terremoto de magnitude 4,4 cerca de sete minutos antes do horário registrado nas imagens das câmeras de segurança.
Kumal contou que, enquanto se agarrava à mangueira, viu desaparecer a casa onde estava trabalhando.
Mais tarde, policiais conseguiram chegar até ele e resgatá-lo.
Kumal sofreu ferimentos na perna direita depois de ser atingido primeiro pela água e, em seguida, por uma grande pedra.
Sua própria casa, localizada em outra região, não foi atingida, afirmou.

Nepal tem histórico de desastres
De relevo predominantemente montanhoso, o Nepal registra inundações e deslizamentos de terra mortais em todas as temporadas de monções e também está sujeito a outros desastres naturais.
Ainda adolescente, Kumal sobreviveu ao devastador terremoto de 2015, que matou quase 9 mil pessoas.
No leito em frente ao dele, Rihana Lamichhane, de 11 anos, também escapou por pouco.
“Eu estava na escola.
Eles fecharam a escola por causa disso e pediram que fôssemos para casa”, contou.
“Quando eu atravessava o rio, de repente a água da enchente veio com muita força.”
Ela sofreu ferimentos no peito e na perna, mas afirmou: “Estou feliz por estar segura.
Não faço ideia do que aconteceu com meus amigos.”
Sua mãe, Rita, disse que correu para procurar a filha depois de receber uma ligação de uma amiga.
“Estou feliz que nada de grave tenha acontecido com minha filha”, afirmou.
“Estou aliviada por encontrá-la em segurança.”
Equipes de resgate usam escavadeiras para chegar a casas submersas após uma enxurrada ao longo do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, Nepal, nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026
AP Photo/Niranjan Shrestha