Nepal diz ter resgatado 31 estrangeiros após inundações; mais de 500 turistas permanecem desaparecidos - QTU Questões do Universo

Nepal diz ter resgatado 31 estrangeiros após inundações; mais de 500 turistas permanecem desaparecidos

Fonte: Bandeira da fonte

Um dia após enchentes e deslizamentos deixarem centenas de mortos e um rastro de destruição no Nepal e no Tibete, o Conselho de Turismo nepalês disse ter resgatado 31 turistas que estavam desaparecidos.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, o órgão afirmou ter localizado dois cidadãos americanos, dois russos, 11 indianos, quatro sul-coreanos, dois italianos, um búlgaro e um suíço.

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Outros oito turistas resgatados ainda não tiveram a nacionalidade confirmada, acrescentou a nota, destacando que as autoridades intensificaram os esforços de buscas na região.
Segundo o Conselho, pelo menos 667 turistas e viajantes estão desaparecidos, incluindo 127 nepaleses e 540 estrangeiros.
O número inclui 178 indianos, 65 americanos, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos e 33 britânicos.
Não há brasileiros na lista oficial divulgada.

“Todos os esforços estão sendo feitos para resgatar/evacuar as pessoas feridas e aquelas que estão isoladas”, afirmou o Conselho de Turismo nepalês no X.

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Autoridades italianas conseguiram entrar em contato com 130 cidadãos que anteriormente não haviam sido localizados, informou o Ministério das Relações Exteriores da Itália.
O Ministério das Relações Exteriores da Índia indicou, também nesta quinta-feira, um número maior de cidadãos indianos desaparecidos no Nepal: são, de acordo com o órgão, pelo menos 288 pessoas, incluindo 73 que trabalhavam em um projeto hidrelétrico.
Nove cidadãos sul-coreanos que também trabalhavam em um projeto hidrelétrico desapareceram.

Ao todo, mais de 1,4 mil pessoas ainda não foram encontradas.
O número de mortos subiu para pelo menos 362, com vilarejos inteiros sendo varridos do mapa.
Enquanto isso, especialistas alertaram para o risco de novas enchentes.
O fenômeno anterior, semelhante a um tsunami, destruiu cidades sob uma torrente de lodo, engolindo casas, devastando pontes e represas e arrastando veículos.

Peregrinos desaparecidos
O maior contingente de estrangeiros desaparecidos parece ser formado por peregrinos.
Pelo menos dois grupos, totalizando cerca de 130 pessoas, estavam perto da passagem de fronteira de Gyirong quando as inundações atingiram a região, segundo organizadores de excursões e parentes.
Eles estavam a caminho do Tibete para uma peregrinação ao Monte Kailash, local sagrado para hindus e budistas no Himalaia, ou retornavam após concluir a peregrinação.

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O maior grupo, de 80 pessoas, fazia parte de uma excursão organizada pela Isha Foundation, administrada por um guru espiritual e empresário indiano conhecido como Sadhguru.
Em um vídeo divulgado nesta quinta-feira, ele disse que o grupo — de 46 mulheres e 34 homens de 19 países — havia chegado ao posto de controle de imigração poucos minutos antes da chegada da inundação, que atingiu a região na manhã de quarta.

— Literalmente, o grupo inteiro estava dentro do prédio — disse ele, enquanto pessoas podiam ser ouvidas chorando ao seu redor.

Sadhguru, que está no Tibete, relatou ter conduzido seu próprio grupo de excursão pelo mesmo posto de controle de imigração poucos dias antes.
Aquele prédio foi levado pelas águas, afirmou, e não havia sido possível entrar em contato com o líder do outro grupo, identificado por ele como Praveen.
Não há, disse ele, nenhuma “confirmação oficial”.

— Mas, olhando para a dimensão da destruição, a situação parece ruim.
‘Muito doloroso’
Um segundo grupo, formado por mais de 50 peregrinos indianos do estado de Tamil Nadu, havia informado aos familiares em casa que estava partindo em direção ao posto de controle da fronteira antes que as inundações ocorressem.
Amigos e parentes de Syed Umar Farooq, coordenador da excursão, disseram não ter conseguido entrar em contato com ninguém do grupo desde as inundações.

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Outros 40 viajantes e sete funcionários da Himalayan Glacier, empresa de turismo com sede nos EUA, também planejavam atravessar a fronteira.
Sagar Pandey, diretor-executivo da empresa, disse que não tinha notícias de ninguém do grupo desde a manhã de quarta-feira.
Pandey disse que havia sobrevoado de helicóptero a área afetada na tentativa de ajudar, mas que era perigoso demais pousar.

— É muito doloroso — disse ele, acrescentando que a devastação se estendia por quilômetros, e quase nada havia restado do hotel onde o grupo estava hospedado.
— Eu mantive a esperança até chegar à área.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o desastre foi causado pelo colapso de uma geleira, o que provocou um imenso fluxo de detritos de gelo.
A força repentina de lama e detritos foi “como um tsunami terrestre”, percorrendo quase 170 quilômetros ao sul em direção ao Nepal, disse à AFP a historiadora ambiental Ruth Gamble, da Universidade La Trobe, na Austrália.
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Rasuwa, no norte do Nepal, foi o primeiro distrito a ser afetado, mas mortes foram registradas até o sul em Chitwan, na fronteira com a Índia.
O líder espiritual budista Dalai Lama, que vive exilado na Índia, disse que iria “orar por todos aqueles que perderam suas vidas”.
Autoridades do governo chinês no Tibete mobilizaram quase 800 trabalhadores de emergência, além de cães farejadores e lanchas rápidas para ajudar nos esforços de resgate, informou a agência de notícias oficial Xinhua.
A Federação da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informou que está enviando suprimentos de emergência, incluindo cobertores, kits de primeiros socorros, macas e sacos para cadáveres.
(Com AFP e New York Times)