‘Nem todo combustível fóssil será substituído pela eletricidade’, diz jornalista automotivo

 

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Muitos motoristas têm se questionado recentemente sobre o caminho da mudança atual dos carros, que transitam de modelos a combustão – aqueles que utilizam combustíveis fósseis, como gasolina, etanol e diesel – e elétricos – que utilizam energia de baterias recarregáveis. Há ainda os híbridos, que funcionam das duas formas.

Em entrevista ao Fim de Expediente desta sexta-feira (8), João Anacleto, apresentador do canal “A Roda”, no YouTbe, comenta o avanço dos modelos elétricos, especialmente na China.

“O avanço chinês parece irreversível. (A China) vai ditar as tendências que o restante do mundo vai seguir. No fim das contas, os chineses estão em uma caminhada rumo aos veículos 100% elétricos, por isso a discussão das terras raras. A China já venceu essa disputa várias vezes e a próxima vitória tende a ser a do domínio dos minerais raros. Acho que os híbridos são feitos para ‘agradar’ o mundo, mas a aceitação parece maior com o tempo. O consumidor que tem um carro 100% elétrico não olha nem para o híbrido mais”, diz.

No entanto, o jornalista afirma que a mudança total dos modelos não será “do dia para a noite”:

“Ainda estamos no meio do processo, há muitas partes que estão sendo desenvolvidas. Tudo está sendo pensado para encontrar uma solução que não seja apenas a emissão zero, mas para que todo o processo seja limpo. (...) É como quando a internet chegou. Os carros à combustão ainda estarão presentes por um tempo, já que os elétricos ainda não funcionam para todo mundo. Deve demorar uns 15 anos para isso. Nem todo combustível fóssil vai ser substituído pela eletricidade, como no transporte de longa distância e no marítimo. Mas, no transporte dentro da cidade, (o combustível) deve ser substituído em alguns anos”, explica.

Ainda, diante da disputa entre a China e os Estados Unidos para o monopólio do setor, Anacleto acredita que o Brasil pode optar por uma terceira opção. Enquanto a China avança na criação de automóveis elétricos, EUA seguem com o discurso para manter os combustíveis a combustão, especialmente por conta do “fluxo de poder” quando se fala sobre o petróleo.

“O Brasil ainda tem uma terceira via, que é o etanol. Apesar das emissões da queima serem maiores, o ciclo da cana ‘compensa’ a poluição. A grande questão é quem ganhará a batalha econômica. Mas, no meio automotivo, não há como correr atrás da China… As contestações do Trump são mais ideológicas do que efetivas, porque os Estados Unidos não produzem nem 60% do que a China produz”, diz.

Fórmula 1

João conta que ingressou no jornalismo automotivo em 2004, mas que o canal no YouTube foi criado apenas em 2017. Atualmente, conta com 520 mil inscritos.

O interesse pelo universo dos carros surgiu por influência do pai, ainda criança:

“Sempre gostei mais de futebol na infância, mas era ‘obrigado’ pelo meu pai a ver corridas de Fórmula 1. Entrei no jornalismo e a primeira oportunidade de estágio que me apareceu foi em uma revista sobre carros. Dali em diante, já escrevi sobre diversos meios de transporte”, divide.

Dentro do tema da Fórmula 1, em tom descontraído, João foi perguntado se preferiria andar no carro de Nelson Piquet ou no de Ayrton Senna. Em meio a risadas, ele disse que haveria um empate:

“De moleque, (andaria) com o Piquet. Mas (mais velho) eu tive o prazer de andar nos carros do Senna e saber um pouco mais profundamente de sua história, das suas coisas e do lado sentimental”, divide.