O advogado Nelson Wilians, investigado por suspeita de participação em um esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS, procurou nesta terça-feira (18) integrantes do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP) para prestar esclarecimentos sobre a Operação Distrato.
A iniciativa de procurar as autoridades partiu do próprio advogado, segundo seu defensor, Santiago Schunck.
Wilians foi ouvido por promotores do MP-SP, procuradores da Procuradoria-Geral do Estado e auditores fiscais da Receita Estadual, na sede da Secretaria da Fazenda.
Durante o encontro, a defesa diz que o advogado apresentou sua versão sobre os fatos e afirmou que pretende entregar documentação para "demonstrar que não participou de qualquer atividade ilícita" nem da utilização irregular de créditos tributários.
A Operação Distrato foi realizada em 15 de julho pelo CIRA-SP, estrutura que reúne Ministério Público, Secretaria da Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado, com apoio das polícias Civil e Militar.
A investigação apura um esquema de comercialização de créditos de ICMS, que seriam vendidos a empresas interessadas em reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado.
Ao todo, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto, além de Londrina e Cambé, no Paraná.
Segundo os investigadores, os créditos eram apresentados como parte de planejamentos tributários regulares, embora não tivessem autorização do Fisco ou lastro econômico.
As empresas utilizavam os créditos para diminuir o ICMS a pagar e os intermediários recebiam honorários pelo negócio.
A apuração da Fazenda paulista identificou milhares de lançamentos considerados suspeitos e resultou na constituição de mais de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários contra centenas de empresas.
O grupo econômico ligado a Nelson Wilians aparece entre os principais núcleos investigados.
O escritório do advogado e sua residência, nos Jardins, foram alvos das buscas realizadas em julho.
A investigação apura suspeitas de crimes como organização criminosa, crimes contra a ordem tributária, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.
A reunião desta terça-feira ocorreu pouco mais de um mês após a deflagração da operação.
O encontro também ocorre poucos dias depois de o advogado ter sido novamente alvo de uma investigação, desta vez da Polícia Federal, na Operação Arena, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a empresas de apostas.
Nesse caso, a defesa também afirma que a atuação profissional de Wilians não significa participação nas eventuais irregularidades atribuídas aos investigados.
