O cantor e compositor Neil Young entrou com uma ação judicial de US$ 10 milhões contra o Trump 47 Committee, comitê de arrecadação de fundos que apoia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O músico acusa a organização de usar sem autorização a música "Rockin' in the Free World", lançada em 1989, antes de um comício realizado em Youngstown, Ohio, em 12 de outubro, segundo informações da emissora BBC.
Pioneira da aviação: Imagens raras de Amelia Earhart antes de voo ao redor do mundo vão a leilão Apresentado em um tribunal federal por meio da empresa de Young, Silver Fiddle Music, o processo afirma que a canção foi executada sem licença ou autorização e caracteriza o uso como uma "apresentação pública não autorizada".
A ação também sustenta que a música foi utilizada "inúmeras vezes em outros comícios". O documento judicial, de cinco páginas, afirma que Trump sabia da necessidade de autorização para tocar a composição em eventos políticos e tinha conhecimento pessoal de que seria necessária uma licença.
Segundo o processo, Young "não concedeu, nem concederia, a licença exigida". Neil Young critica uso político da música
Aos 80 anos, o cantor, vencedor do Grammy, é crítico das políticas de Trump. Na ação, Young descreveu "Rockin' in the Free World" como "um hino contundente que contrasta as promessas vazias da retórica política americana com as duras realidades enfrentadas pelos pobres, pelos sem-teto e pelos esquecidos".
O músico também afirmou que a canção é "o oposto de tudo o que Donald J. Trump representa".
Na terça-feira, Young publicou uma mensagem sobre o processo em seu site. Ele agradeceu a Trump por ter comparecido a vários de seus shows nas décadas de 1980 e 1990, mas criticou o uso de sua música sem autorização.
"Lamento que tenha chegado a esse ponto, mas dinheiro e transações são coisas que você entende", escreveu. Licenciamento de músicas em campanhas políticas nos EUA
Nos Estados Unidos, campanhas políticas geralmente precisam de uma licença de execução pública para tocar músicas diante de uma plateia, mesmo quando já possuem uma cópia legal da gravação. A autorização é necessária dos titulares dos direitos autorais da composição e pode ser obtida diretamente com eles ou por meio de organizações de gestão de direitos de execução pública.
O material ressalta que as gravações sonoras não têm um direito geral de execução pública previsto da mesma forma que as obras musicais. Procurada pela BBC, a Casa Branca encaminhou o assunto ao Comitê Nacional Republicano, mas não havia retornado até a publicação desta matéria.
Cantor já havia processado campanha em 2020 Esta não é a primeira vez que Young aciona a Justiça por causa do uso de suas músicas por Trump.
Em 2020, o artista entrou com uma ação por violação de direitos autorais pelo uso de "Rockin' in the Free World" e "Devil's Sidewalk". A nova ação afirma que a campanha, naquele processo, "não apresentou nenhuma defesa e chegou imediatamente a um acordo pouco depois de receber a notificação do processo", comprometendo-se a não voltar a utilizar as músicas sem autorização.
Young não é o único músico a contestar o uso de seu repertório em eventos políticos do presidente americano. Segundo a reportagem, Rolling Stones, Rihanna, Adele e R.E.M., além do espólio de Prince, também criticaram Trump por utilizar suas músicas em eventos de campanha.
O Globo