Nei Lopes lança autobiografia nesta sexta (8): 'É contar a vida como ela aconteceu'

 

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O pesquisador, escritor e músico Nei Lopes lança nesta sexta-feira (8) uma nova obra autobiográfica que revisita origens e trajetória pessoal. Intitulado 'Robusto Menino de Irajá: doces lembranças, eternas saudades', o livro será apresentado no Centro Cultural dos Correios, no Centro do Rio.

Em entrevista ao CBN Rio, o autor, prestes a completar 84 anos, destacou que a publicação reúne memórias da infância em uma família numerosa, negra e de origem humilde no período pós-abolição, além de episódios que moldaram sua formação intelectual - palavra que o músico deixa claro não ser fã.

Ao longo da conversa, Nei ressaltou que a obra segue uma narrativa cronológica e combina leveza com reflexões profundas sobre suas importantes perdas ao longo da vida e afetos que construiu.

“São muitas lembranças, né? As doces são muitas. As amargas a gente joga um pouquinho para o lado, mas é a minha história. Coisas engraçadas, coisas interessantes, coisas diferentes. E coisas tristes também, claro que sempre tem.”

O escritor também destacou o caráter humano e acessível do livro, além do potencial inspirador da própria trajetória, marcada por ser o primeiro dentro da família a chegar ao ensino superior e por uma mudança de rumo em direção à arte.

“É contar a vida como ela aconteceu. Talvez possa servir de caminho para uma outra pessoa que tenha o meu perfil. Eu fui o primeiro da família a chegar à universidade, mas depois percebi que não era aquilo que eu queria e fui buscar outra coisa, mais ligada à minha essência.”

O músico ainda abordou o peso das perdas pessoais ao longo da vida e como isso atravessa sua escrita.

“A saudade é das pessoas que a gente perdeu. Eu perdi pessoas muito importantes. São coisas que doem, mas é bom falar disso também. Para mostrar que ninguém é superior, todo mundo sofre. A vida é isso.”

Com mais de 50 obras publicados e uma produção que atravessa literatura, música e pesquisa, o autor afirmou que construiu uma frase para responder porque escreve tantos livros: 'porque não tem o que fazer'.

"Quando eu entro na ficção, aí eu entro eu mesmo. Falando coisas engraçadas, coisas que eu vi mentindo muito. É bom, né? Inventar coisas, contar mentiras. Com capa de verdade. É o que eu estou fazendo nesse exato momento. Fazendo uma coisa assim para dar essa refrescada. Claro, eu já estou fazendo (livro de ficção)".

Confira a entrevista completa: